Realizando uma pesquisa bibliográfica, escolhi esse tema: o mundo do futuro e a pessoa do futuro, que se encontra na parte IV do livro Um Jeito de Ser (p. 123) por aproximar-se mais do que procurava, pois igualmente a Rogers, tenho de longa data, um interesse pelo futuro, discernir os rumos dessas transformações, quais as pessoas ou como toda essas transformação se processa na mente humana e, se estão aptas para viver num mundo de mudanças aceleradas, como enfatiza Rogers.
Este capítulo me provoca uma certa apreensão. Já experimentei antes esta mesma sensação. Embora vagamente, acredito que o que estou dizendo aqui algum dia será mais profundamente destrinchado por mim ou por alguém. Trata-se de um começo, um esboço, uma sugestão. Rogers, 1983, p. 123.
Concordo que se trata de um trabalho embrionário, pois falar de pessoas e principalmente do mundo futuro é engatinhar. Os tempos modernos têm desenvolvido rapidamente em termos de tecnologia, transporte e meios de comunicação, bem como na medicina.
No cenário atual, o homem tem aparelhos sofisticados que nem sempre sabe todas as funções que podem ser usadas, transporta-se de um país ao outro em poucas horas, conversa com todas as pessoas do mundo, ao mesmo tempo e sem sair de casa, podendo navegar por vários lugares, até pelo corpo humano descobrindo os mistérios mais ocultos e ainda visualiza muitas coisas no fundo do mar, no ar e na terra. Um só homem ao apertar um botão pode destruir o planeta.
Conforme Rogers, pode-se imaginar vários cenários para os próximos anos. De um lado, as constantes guerras, do outro o progresso tecnológico, ambos ameaçam o mundo; por agilizar grandes decisões, divulgar o controle da ciência influenciando a vida do homem e do meio ambiente.
Conforme Rogers, pode-se imaginar vários cenários para os próximos anos. De um lado, as constantes guerras, do outro o progresso tecnológico, ambos ameaçam o mundo; por agilizar grandes decisões, divulgar o controle da ciência influenciando a vida do homem e do meio ambiente.
Para Rogers, a tecnologia e suas inovações afetam a vida das pessoas, pois afastam o homem da natureza, do sol, do vento e de todos os processos naturais. Este progresso produzirá mudanças cuja magnitude é impossível prever, não sabendo, ou seja, não tendo certeza se toda essa transformação será benéfica ou maléfica. A única certeza é o isolamento do homem, e as relações pessoais cada vez mais distantes.
Outro cenário é o grande conhecimento e diversas informações vindas de todos os lados que sem dúvida altera a concepção das pessoas e suas potencialidades, mudando a realidade, crenças, comportamentos, etc...
Conforme Ferguson, 1980, p. 177, relata as transformações pessoais e sociais dos anos 80, o que, não apenas revolucionam a concepção do funcionamento do cérebro, mas sugere, que o cérebro pode criar a “realidade”.
Aqui outra identificação que encontrei em Rogers, pois tenho lido muito Ferguson, e até citei em meu trabalho do TIP I,( textos dos tempos de faculdade), pois considero um livro que prevê o futuro, escrito por alguém muito inteligente, que trata de vários assuntos, mas voltando para o tema, nesse mundo revolucionário atual, conceber o homem sem liga-lo a biologia, psicologia e o social é concebê-lo fragmentado, pois intrinsecamente e extrinsecamente há uma ligação.
“Focalizar” ou adquirir pela consciência de alguma experiência até então negada acarreta mudanças psicológicas e fisiológicas na psicoterapia e resulta em mudanças comportamentais, Rogers, 1983, p. 127.
A época da modernidade não muda só o meio ambiente, facilitando e acelerando o progresso, muda também a mente das pessoas.
Mas, segundo Rogers ( 1983,p.129), quem estará apto a viver neste mundo completamente estranho? Com certeza essas pessoas estão no mundo de corpo e mente como também de espírito, e tudo isso precisa ser considerado, quando se falar em ser humano. O ser humano, apesar de viver num mundo estressante, onde a competitividade exige que o mesmo ultrapasse seus limites, dormindo pouco, alimentando-se inadequadamente, correndo contra o tempo, sente falta de harmonia com a natureza, o banho de cachoeira, o andar descalço, de um lugar só seu, onde possa elevar sua alma.
Rogers acredita que por mais que tudo evolua, o homem jamais esquecerá que é um indivíduo capaz, possuidor de escolhas, aberto tanto para o mundo interior como também para o mundo exterior, podendo viver novas experiências, novas maneiras de ver, de ser, novas idéias e conceitos. Esses indivíduos, são possuidores de uma autenticidade a qual os impedem, que os avanços da modernidade controle suas vidas, tornando-os robôs de um sistema. São pessoas que não admitem viver desta forma, pois desejam ter uma vida por inteiro, em contato, com intimidade com outras pessoas tanto sentimentalmente como intelectualmente. Pessoas conscientes de que as mudanças fazem parte da vida, no entanto, as relações com outras pessoas, a solidariedade, não podem deixar de existir.
Rogers acredita nas atitudes preservativas das pessoas em relação à natureza. Neste sentido, o mesmo relata que o indivíduo do futuro não permite ser manipulado por instituições, mas as mesmas devem servir ao homem; sendo o ser humano desprendido dos bens materiais, buscando mais um sentido para a vida, ou seja, uma qualidade de vida melhor. Desta forma, as pessoas conseguirão viver num mundo de transformação, num mundo do futuro, sem se deixar levar por enganos de uma elite dominante.
Como ressalta Rogers, essas pessoas encontrarão obstáculos, pois viver em um mundo em constantes avanços e conseguir manterem-se tranqüilo, equilibrado é realmente quase impossível, pois em um cenário: os constantes apelos de inovações, modernidades, competitividade, no outro cenário: a tradição, os valores, costumes e ainda em outro cenário: o indivíduo, confuso sem saber em qual cenário atuar.
Acredita-se que o indivíduo constitui-se sócio-historicamente, mas a história do indivíduo está sendo remodelada, aceite os conservadores ou não.
As pessoas do futuro perceberão suas potencialidades, suas capacidades e suas liberdades. Os ventos das mudanças científicas, sociais e culturais estão soprando com força, Rogers, 1983, p. 134, depende do indivíduo escolher, qual o cenário atuar: das tradições, do modernismo manipulador ou o cenário do: humanismo centrado no ser humano. Quando comecei a escrever este texto, fiquei surpresa em saber que Rogers tem as mesmas curiosidades, e que trilhamos em busca do mesmo conhecimento, discernir o futuro, também fiquei admirada da visão futurista de Rogers.
Tenho pouca leitura em relação às obras de Rogers mas, gostei dos poucos livros que li, e também de alguns conceitos de sua teoria e técnicas terapêuticas. Sinto que cresci intelectualmente, e que consigo ter uma visão mais esclarecedora da modernidade.Tenho certeza que tenho muito que aprender e ler, mas fico contente de saber que uma teoria não se esgota em seu curso, e por mais que se busque sempre se encontra novos conhecimentos, agora entendo o que Rogers quer dizer em estar aberto a novas experiências, nossos conhecimentos nunca se findarão, isso nos torna mais ricos no saber.
Fonte: ROGERS, Carl Ransom. Um jeito de ser. Tradução Maria Cristina Machado Kupfer, Heloísa Lebrão, Yone Souza Patto; revisão: Maria Helena Souza Patto – São Paulo: EPU, 1983.

Nenhum comentário:
Postar um comentário