Bacharela em psicologia

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

A INFLUÊNCIA DAS REDES NEURAIS.

A INFLUÊNCIA DAS REDES NEURAIS DA PERCEPÇÃO NO SUJEITO

Trabalho de Investigação Psicológica – II apresentado ao Curso de Psicologia, por Neiva Maria Minotto, como requisito à obtenção do grau de Bacharel. Universidade do Sul de Santa Catarina Orientadora Profª Alcionéia Nahir de Almeida Scremin.     Araranguá, 2004
“A informação no cérebro não é feita de imagens, palavras e emoções. Toda ela é codificada sob a forma de correntes elétricas, que variam de local, tamanho e forma quando chegam às sinapses.”
(Henriques Schützer Del Nero)

DEDICATÓRIA

Este trabalho dedico a Deus, que sempre esteve presente, ajudando-me.
In memória a minha mãe, que me ensinou a ter perseverança,
In memória a minha sobrinha Simone, que deixou saudades, mesmos não estando mais aqui, são pessoas que com certeza contribuíram na formação de minha personalidade, ensinaram-me a ter paciência, enfrentar os obstáculos mesmo que lhe custe a vida, ser humilde e ter esperanças.

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, por sua presença em todos os momentos difíceis, me iluminando nessa caminhada cheia de obstáculos.
Ao superintendente José de Oliveira Ramos, pela oportunidade de ser um membro dos funcionários deste campus.
A professora Otênia Rosalba da Silva Damazio por sua amizade e apoio no início desta caminhada.
A minha sobrinha Bárbara Minotto por seu companheirismo e solidariedade nessa jornada;
Aos zeladores do campus, que são prestativos, dando suporte quando necessário.
Ao amigo Paulo Eduardo Elias Hahn que colaborou com seus conhecimentos de informática.
A minha Orientadora Alcionéia Scremin, colegas, irmãos, cunhado, enfim; todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram de alguma forma para a conclusão de mais esta etapa.

RESUMO


Esse estudo visa verificar a influência das redes neurais da percepção no sujeito. Observa-se que a tecnologia e a ciência evoluíram, a nova ciência tem mostrado o cérebro como um órgão que faz parte do corpo, e que está sujeito às influências tanto internas quanto externas. E que o biológico, psicológico e o social interagem na sua estrutura física. O cérebro é considerado um sistema dinâmico, sensível e que pode ser influenciado para melhor ou para pior funcionamento, desenvolvendo-se e permanecendo saudável ou atrofiando por falta de uso. E quem está no comando de suas funções são os neurônios, mas para que os neurônios cumpram suas funções, muitos fatores são envolvidos. O cérebro não é uma máquina pronta para dar respostas. Em seu desenvolvimento, estruturação e organização estão envolvidos a genética, o meio ambiente, os hormônios e o psicológico, ou seja, o biopsicossocial, pois o cérebro não vem pronto e acabado. Elucidar se os neurônios influenciam e como isso ocorre é estudar, analisar o indivíduo como um todo. Para esse estudo utilizou-se de diversas bibliografias, dando ênfase na teoria da Gestalt e uma pesquisa de campo exploratória de caráter qualitativo, sugerindo desse modo, uma pesquisa descritiva. Como instrumento de pesquisa foi utilizados um questionário com 17 (dezessete) perguntas apresentando a combinação de respostas abertas. A análise foi baseada nos depoimentos dos colaboradores. Conclui-se que as células nervosas podem ser alteradas de acordo com os níveis de substâncias químicas. Verificou-se que qualquer alteração, (aumento ou diminuição) dos neurotransmissores, desequilíbrio hormonal ou o não funcionamento das sinapses podem ocorrer reações, podendo às vezes, desencadear distúrbios neurológicos ou psíquicos.


Palavras-chaves: Influência, neurônios, percepção, sujeito.

ABSTRACT


This study it aims at to verify the influence of the neural nets of the perception in the citizen. It is observed that the technology and science had evolved, new science has shown the brain as an agency that is part of the body, and that he is subject to in such a way how much external the internal influences. And that biological, psychological and the societal interact in its physical structure. The brain is considered a dynamic, sensible system that can be influenced for better or for worse functioning, developing them and remaining healthful or atrophying due to useless. And who is in the command of its functions are the neurons, but so that neurons fulfill its functions, many factors are involved. The brain is not a ready machine to give answers. In its development, structuration and organization are involved the genetics, the environment, the hormones and the psychological, or either, the social—psychological-biologic, therefore the brain does not come ready and finished. Elucidate if the neurons influence and as this occurs is study and analyze the individual as a whole. For this study was used of diverse bibliographies, giving emphasis in the theory of the Gestalt, and a exploratory research of field of qualitative character, suggesting in this way, a descriptive research. As research instrument was used a questionnaire with 17 (seventeen) questions presenting the combination of open answers. The analysis was based on the depoiments of the collaborators. Concludes that the nervous cells can, in the accordance with the chemical substance levels, be modified. It was verified that any alteration, (increase or reduction) of the neurotransmitters, hormonal disequilibrium or the not functioning of synapses could occur reactions, that in some times, to unchain neurological or psychic disturbs.


Word-keys: Influence, neurons, perception, citizen.
LISTA DE QUADROS

QUADRO nº 1: Dados sócio-demográficos dos sujeitos de pesquisa 53

SUMÁRIO

Lista de Quadros 07
  1. INTRODUÇÃO 10
    1. Problemática 10
    2. Problema de pesquisa 12
    3. Objetivos 13
      1. Objetivo Geral: 13
      2. Objetivo Específico: 13
    1. Justificativa 13
  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 17
    1. A História da Anatomia e Neurociência 17
      1. Contribuições do anatomista Aristóteles 18
      2. Contribuições do anatomista Hipócrates 18
      3. Contribuição do anatomista Galeno 19
      4. Outros autores e obras que contribuíram na história da anatomia 21
      5. A contribuição da teoria evolucionista de Darwin 24
    2. A História do Sistema Nervoso 26
      1. As contribuições do fisiologista Claude Bernard 26
      2. A História da Neurociência no Brasil 29
      3. A história da descoberta da Sinapse 33
      4. A atuação dos neurotransmissores autônomos 36
      5. Modo de atuação do Sistema Nervoso Autônomo no controle do organismo 37
      6. O homem, a sociedade e as atividades psíquicas 37
    1. A contribuição da Gestalt no estudo do Cérebro humano 42
    2. Sistema Nervoso 44
  1. QUESTÕES NORTEADORAS 46
METODOLOGIA 47
    1. TEMA IN / FOCO 47
    2. Identificação da Amostra 48
    3. Delineamento 48
    4. Instrumento de Coleta de Dados 49
    5. Procedimentos de Coleta de dados 49
    6. Procedimento de Análise dos Dados 52
  1. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 53
    1. Caracterização da população pesquisada. 53
    2. Apresentação da pesquisa propriamente dita. 54
  2. CONSIDERAÇÕES FINAIS 80
REFERÊNCIAS 82
REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES 84
APÊNDICE 86
Apêndice A – Consentimento Informado 87
Apêndice B – Questionário 88
ANEXOS 90
ANEXO A – FIGURAS 91

1 INTRODUÇÃO

Problemática:
A meta deste trabalho é verificar qual a influência das redes neurais da percepção no sujeito.
Embora muito tem sido divulgado, lido e estudado sobre a mente humana e suas substâncias químicas e como os neurônios e suas conexões atuam no sistema nervoso, mesmo com as atuais pesquisas em ritmo acelerado, ainda assim não foram desvendados todos os mistérios do cérebro.
A Mídia, Internet e muitas universidades têm elucidado alguns estudos referentes à complexidade do funcionamento do cérebro e como o mesmo interage no biopsicossocial do indivíduo. No entanto continuar estudando sobre o funcionamento do cérebro e suas atividades poderão ser a chave para entender o comportamento do ser humano, que nos tempos modernos tem adotado um estilo de vida incompatível com sua estrutura física.
Na era da modernidade já a partir da infância o ritmo do desenvolvimento é acelerado desde os primeiros anos de vida, com tarefas e responsabilidades onde a percepção está mais voltada para os objetos e menos para o contato emocional, gerando estresses, depressões infantis e outros. O adulto tem vivido de forma estressante, correndo contra o tempo, alimentando-se de maneira que o seu corpo não recebe as vitaminas, proteínas e sais minerais suficiente para a produção de substâncias químicas, fabricadas pelo organismo através das glândulas endócrinas1 que junto com os hormônios produzem corrente elétricas (neurônios). Gastando mais energia e dormindo pouco, suas forças ficam limitadas, seu cérebro desgastado, não consegue receber as mensagens externas adequadamente, sua percepção fica distorcida, sua tolerância minimizada, as pressões do dia a dia tornam-se insuportáveis.
A vulnerabilidade do cérebro aos fatores ambientais principalmente a exposição precoce com nicotina, álcool e cocaína tem efeito fortíssimo para a propensão a depressão, pois alteram a bioquímica do cérebro, afetando os neurotransmissores como a serotonina, produtos químicos que flutuam pelas sinapses, permitindo a conexão entre as células cerebrais. Também existem outros fatores como a falta de nutrição que tem efeitos devastadores. Os traumas precoces ou abuso tanto no útero ou após o nascimento ocasionam prejuízos no desenvolvimento das áreas subcortical e límbica do cérebro, desencadeando ansiedade, incapacidade de estabelecer contatos saudáveis com as outras pessoas. Todos esses fatores e outros influenciam o sujeito. (SHORE, 2000, p. 12).
O cérebro humano é o único que vem ao mundo de forma inacabada. De acordo com seu ciclo de contato vai captando e registrando as informações recebidas do meio externo. Esses armazenamentos poderão implicar no desenvolvimento neural, acarretando no futuro dificuldades de aprendizagem, desequilíbrio emocional, motores etc.. (SHORE, 2000, p. 58)
Em um mundo competitivo onde o desemprego assola a humanidade impossibilitando o sujeito de satisfazer suas necessidades fisiológicas e psicológicas e de auto-regular seu organismo como um todo, não sabendo lidar com suas frustrações fica limitado sem condições de usar seu potencial, vivendo em função de agradar a sociedade e não a si próprio. A necessidade de contato é psicológica, neurológica da qual tanto o indivíduo quanto o meio precisam estar em harmonia, pois se a sociedade exigir do sujeito algo que não é capaz de corresponder, ficam algumas Gestalts inacabadas, incomodando e pressionando até que o indivíduo consiga acabar ou fechar as Gestalt incompletas. (PERLS, 1977, p.39).
O organismo que possui Gestalt incompletas entra em conflito, tem dificuldades em distinguir uma necessidade da outra. Quando o sujeito busca em seu cérebro uma solução da qual não foi preparado para resolver ou lidar com tal situação entra em desequilíbrio tanto interno como externo.
O homem está inserido em uma sociedade onde seu organismo e o meio estão expostos a mudanças, que não possibilitam o preparo deste sujeito para o impacto das alterações em seu biopssicosocial. A mente humana é como um computador, precisa atualizar sua programação, caso contrário executa funções desatualizadas. E como estão sempre surgindo conhecimentos novos na área da informática, não é diferente com o cérebro.
1.2. Problema de pesquisa
Qual a influência das redes neurais da percepção no sujeito?
    1. Objetivos 
      1.3.1 Objetivo Geral:
  • Verificar a influência das redes neurais da percepção no sujeito. 
             1.3.2 Objetivos Específicos:
  • Identificar qual a relevância das redes neurais da percepção no sujeito.
  • Investigar quais as implicações dos neurônios no funcionamento dos sentidos do sujeito.
  • Constatar qual a relação do funcionamento das redes neurais nas reações psicológicas do ser humano.
Justificativa
Este trabalho tem como objetivo expor de maneira simples, sem a pretensão de esgotar o assunto, a influência das redes neurais da percepção no sujeito.
O interesse de fazer esta pesquisa surgiu no decorrer da vida acadêmica em virtude de tantos questionamentos de colegas do curso de psicologia e enfermagem em relação ao sistema nervoso.
No decorrer da Psicologia científica várias pesquisas foram realizadas em relação às lesões cerebrais, mas nenhuma para detectar as regiões afetadas por um sofrimento psíquico sem lesões que incluíssem a influência dos neurônios nesse conflito interno.
Fica difícil falar do ser humano sem considerar o biológico, psicológico, e social, mas fica mais difícil tentar entender o sujeito sem entender as complexas conexões neurais que o indivíduo usa para captar as mensagens do meio externo, elaborar e responder.
Para elucidar alguns conhecimentos a respeito das conexões neurais e como atua no sistema nervoso do ser humano se faz necessário descrever os neurônios e seus componentes, depois uma ligação dos mesmos e o mundo externo. Esse contato com o mundo externo tem confirmado sua relevância na vida humana pela ciência, pois é através das células cerebrais que ocorre a captura das mensagens, os chamados neurônios sensoriais e neurônios motores.
Não só a ciência e a psicologia, mas os neurologistas também ressaltam que a interação do sujeito com o meio ambiente são requisito para a captura e transmissão das informações.
Ginger (1995, p.39) não considera o cérebro como figura, mas como fundo. Para a gestalt a figura principal é a percepção.
Ferguson (2000, p. 64) relata que muitos pesquisadores declaram que quando ocorre uma mudança social na vida do indivíduo da mesma forma implica modificações na atividade consciente. As modificações acontecem na mente, no cérebro e no corpo, bem como na orientação da vida.
O cérebro desempenha um papel decisivo no controle de várias funções corporais tanto voluntárias, como andar ou falar e involuntárias, respirar ou piscar. E, através dos sentidos são captadas todas as informações necessárias para a formação da memória. É um depósito onde os neurônios abrigam-se, controlando, monitorando todas as funções vitais do corpo e as emoções. Recebem, processam informações do mundo externo através de milhões de receptores onde os mesmos armazenam, selecionam e respondem de uma forma muito organizada todos os conhecimentos enviados, além da adaptação com todos esses conhecimentos recebidos do meio externo, ainda executam e interpretam as complexas soluções necessárias às situações diversas. Um exemplo é a depressão, que nada mais é do que a falta de dopamina, noradrenalina e serotonina, substâncias químicas responsáveis pelo humor do ser humano, pois o cérebro humano depende de dados ambientais para estruturar-se, e a memória corresponde à capacidade de armazenar informações e depois resgatá-las, envolvendo o intelecto, aprendizado, pensamento vivenciados pelo indivíduo em contato com o outro. (TERRA, 1999, p. 56).

[...] Os neurocientistas tem mostrado que, no decorrer de todo o processo de desenvolvimento, o cérebro é influenciado por condições ambientais, incluindo o tipo de criação, cuidados, ambiente e estimulação que o indivíduo recebe. (SHORE 200, p. 9)

Pinker (1999, p. 13) chama atenção para as complexidades do sistema visual e da coordenação motora. Descrevendo essa inteligência como exclusividade da mente humana, adverte que mesmos os estudiosos da mente humana que procuram criar as inteligências artificiais não conseguem reproduzir essas complexas conexões em robô, pois os neurônios além de executar todas as funções já citadas, têm a capacidade de produzir sentimentos. Não são meros mecanismos de resposta, mas ninguém até agora descobriu como isso ocorre.
Pinker (1999, p.27) relata que visão, movimentos e sentimentos não são extraídos do meio ambiente, mas são particularidades de cada indivíduo. Captar informações do meio ambiente é indispensável, mas como o indivíduo trabalha intrinsecamente com essas mensagens é diferente de sujeito para sujeito.
Sendo o sistema nervoso capaz de controlar uma série de funções tanto interna como externas do organismo, julga-se ser de suma importância para a psicologia considerar as influências dos neurônios na vida do indivíduo.
Shore (2000, p. 9) adverte essa importância a partir dos três primeiros anos de vida.

O funcionamento cerebral depende da passagem rápida e eficiente de sinais de uma parte do cérebro a outra. Precisa-se ter uma rede bem organizada. Os blocos de construção dela são as células cerebrais (neurônios) e as conexões (sinapses) que os neurônios formam com outras células cerebrais. Essas ligações (sinapsses) são vitais para o desenvolvimento e o aprendizado saudáveis: elas se unem para formar os caminhos neurais. Quando um indivíduo interage com o meio. (SHORE, 200, p. 9)


Para Shore (2000, p. 10) como os indivíduos se desenvolvem e aprendem depende da interação entre a herança genética e o meio, ou seja, os ensinamentos que lhe são fornecidos.
Os cuidados iniciais têm uma importância decisiva nas pessoas no seu desenvolvimento e na sua capacidade de aprender e em suas habilidades para regular as próprias emoções. Também expressa que a maneira como os pais, as famílias e outros se relacionam com a criança afetam diretamente a formação de caminhos neurais.
Para Ferguson (2000, p. 35) a organização dos módulos mentais provém de programa genético. O cérebro permite ver, pensar, sentir, escolher, agir, tudo decorrente de informações processadas, transmitidas seja através de símbolos ou palavras.

A mente é um sistema primorosamente organizado; realiza proezas notáveis que nenhum engenheiro é capaz de duplicar. Como as forças que moldaram esse sistema, e os propósitos para os quais ele foi criado, podem ser irrelevantes para entendê-lo? (PINKER, 1999, p. 33).

Diante de toda essas complexas execuções se faz necessário conhecer um pouco mais destas conexões ou sinapses, que nada mais são do que neurotransmissores transmitindo as mensagens recebidas de um neurônio para o outro.
No entanto estudar esses processos é importante, pois quando acontece um distúrbio de transmissão química na sinapse ocasiona os enigmáticos distúrbios neurológicos e psíquicos, como também os fisiológicos.
Tudo que ainda não foi descoberto é maior do que resumidamente relata-se neste trabalho.
Considerando que a intervenção cercada de conhecimento torna-se eficaz, enunciar a interação dos neurônios e o meio ambiente influenciando o sujeito, contribui para a capacitação de profissionais da área.
Finalmente os conhecimentos sobre o cérebro precisam ser comunicados não só aos profissionais mas às famílias e ao público geral.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. A História da Anatomia e Neurociência

Resgatar a história da neurociência sem falar de anatomia, fisiologia é meramente impossível, pois as ciências estão interligadas, assim como o corpo em funcionamento está interligado com a mente humana. Segundo Petrucelli (1997)2 o conhecimento anatômico do corpo humano é estudado desde quinhentos anos antes de Cristo no Sul da Itália com Alemeon de Crotona, que realizaram dissecações em animais no século V a.C. Mais tarde com um texto clínico, da escola hipocrática descobriu a anatomia do ombro com as ilustrações anatômicas mencionadas por Aristóteles.
Importantes estudos anatômicos ocorreram na escola Pitagórica com Alemeon de Crotona que situou no cérebro a sede do intelecto e realizou os primeiros estudos sobre embriões.
Para Petrucelli (1997), anatomia no século III a.C., avançou muito em Alexandria, com descobertas que lá foram realizadas atribuídas a Erasistrato, que estudou o aparelho circulatório, e Herófilo. Foram os primeiros a realizarem dissecações humanas de modo sistemático e descreverem o sistema nervoso. A partir do ano 150 a.C., a dissecação humana foi proibida por razões éticas e religiosas. O conhecimento anatômico sobre o corpo humano continuou, porém através das dissecações em animais. Erasistrato continuou seus estudos sobre o sistema circulatório e Herófilo, que dissecou corpos humanos, continuou a descrever o sistema nervoso.
2.1.1 Contribuições do anatomista Aristóteles
De acordo com Paula (2003, p. 9)3, Aristóteles no século IV (384-322 a.C.), foi o criador da teoria dos quatro elementos (a teoria dos quatro elementos começou com Empédocles e outros, como terra, água, ar e fogo, sendo a doença provocada por um desequilíbrio entre esses elementos na constituição do corpo humano) mas, ficou conhecida como a teoria de Aristóteles, filósofo grego, fundador de uma escola onde ficou conhecido como Escola Peripatética. Aristóteles, contribuiu com o desenvolvimento da medicina por suas dissecações em vários animais. É considerado o fundador da anatomia comparada. As suas idéias influenciaram o Ocidente Cristão até a Idade Moderna. No entanto, equivocou-se ao considerar que o coração era a sede da mente, em virtude de que as emoções manifestavam intensa taquicardia, enunciou erroneamente que o coração era responsável pelos sentimentos, pensamentos e percepções.
2.1.2 Contribuições do anatomista Hipócrates
Paula (2003 p. 8) relata que a teoria de Hipócrates assenta-se na teoria dos quatro elementos. Foi o primeiro a defender, a idéia de uma patologia geral, ao contrário da que prevalecia anteriormente onde se referiam as doenças a um único órgão. Hipócrates de Kos (460-370 a.C.), nasceu na Ilha Jônica. Era filho de Heráclides.
É atribuída a Hipócrates uma obra constituída de 53 livros, reunidos em Alexandria por Baccheio, no século III a.C., que constituíam o chamado Corpus Hippocraticum ressaltando que só uma parte dessa obra foi realmente escrita por Hipócrates, sendo os livros restantes oriundos das Escolas de Knidos Kos e Crotone.
Hipócrates defende que as patologias eram mantidas pelo desequilíbrio entre quatro humores: Sangue, Fleuma, Bílis amarela e Bílis negra, que procediam, respectivamente, do coração, do cérebro, do fígado e do baço. Segundo o predomínio natural de um desses humores, na constituição do indivíduo, teríamos os diferentes tipos fisiológicos: o sanguíneo, o fleumático, o colérico e o melancólico. A doença decorreria de um desequilíbrio entre os humores, tendo como causa principal a alteração devida aos alimentos, os quais ao serem assimilados pelo organismo, davam origem aos quatro tipos de humores. Entre os alimentos Hipócrates incluía o ar e a água. Deu grande importância à dieta, aos exercícios físicos e utilizou tratamento com ventosas e sangria.
2.1.3 Contribuição do anatomista Galeno
No século anterior a Cristo foram realizadas descobertas que abriram caminhos para os séculos seguintes. Observa-se que nem tudo estava tão longe de ser verdade, e que os conhecimentos feitos nestas épocas, atualmente não parecem ser tão absurdos, seguindo um raciocínio que só poderá ser confirmado com as dessecações em seres humanos, o que ocorre nos próximos séculos depois de Cristo.
Conforme Petrucelli (1997) no século II d.C., Galeno dissecou quase tudo, macacos e porcos, aplicando depois os resultados obtidos na anatomia humana, com certos acertos; contudo, alguns erros foram inevitáveis devido à impossibilidade de dessecar cadáveres humanos e confirmar os achados.
Galeno de Pérgamo (130.200 d.C.), grego, médico, na história da medicina antiga, seu conhecimento da anatomia humana era incompleto porque se baseava na dissecação de suínos (porcos) e símios (macacos). Seguidor das idéias de Aristóteles declarou que os alimentos, absorvidos no sistema digestivo, passavam ao fígado onde era produzido o espírito natural. Os nutrientes eram levados ao coração no ventrículo esquerdo, transformava-se em espírito vital, onde através das artérias carótidas, se dirigia para uma rede de vasos na base do crânio chamada rede mirabile. Neste local, o espírito vital se transformava em espírito animal, através de sua mistura com o ar inspirado, e era armazenado nos ventrículos cerebrais se irradiando no cérebro. Segundo Galeno, este espírito animal era considerado como a essência da vida e a fonte das faculdades intelectuais.
Quando era necessário, ele viajava através dos nervos, que eram considerados estruturas ocas, para provocar movimentos ou mediar as sensações.
Essas ações desse espírito animal poderiam ser relacionadas às ações dos neurotrasmissores de hoje, sendo os mediadores dos movimentos musculares, fibras lisas ou estriadas, além das respostas às sensações ou às mudanças do meio ambiente, embora suas pesquisas anatômicas não se baseassem no corpo humano, mas no de animais.
2.1.4 Outros autores e obras que contribuíram na história da anatomia
Durante o século XIV começaram a ser feitas dissecações de cadáveres novamente, o que fez a anatomia progredir acentuadamente.
Quando os anatomistas puderam representar de modo realista os conhecimentos anatômicos corretos, se iniciou em toda Europa um período de intensa investigação, no norte da Itália e no Sul da Alemanha. Um dos representantes deste grupo é Jacob Berengario da Capri, autor dos Commentaria super anatômica mundini, que em 1521 contém as primeiras ilustrações anatômicas naturais. (PETRUCELLI 1997)
Em 1532 Charles Estienne preparou em Paris uma obra em que ressaltava a completa representação pictórica do corpo humano.
Em 1536, Cratander, publicou uma edição das obras de Galeno, que incluía figuras especialmente de osteologia, feitas de um modo muito realista.
No século XVI, Andreas Vesalius que nasceu em Bruxelas, em 1514-1564, na Alemanha, formou-se em medicina na Universidade de Paris. Completou seus estudos na renomada escola médica de Pádua, no norte da Itália onde começou a estudar cirurgia e anatomia. Em 1543 publicou a obra em anatomia De Humanis Corporis Fabricau que revolucionou não só a anatomia como também o ensino científico em geral. Com suas obras relatou em seus sete livros sobre a estrutura do corpo humano ilustrando ossos, músculos, vasos sanguíneos, nervos e órgãos internos.Também relatou sua surpresa ao encontrar inúmeros erros nas obras de Galeno. (PAULA 2003, p. 11). Desmentiu a existência dos orifícios que Galeno afirmava existir comunicando as cavidades cardíacas, rompendo com a teoria vigente da localização dos processos mentais nos ventrículos cerebrais. Contudo continuou acreditando que os ventrículos cerebrais eram um local de armazenamentos dos espíritos animais de onde partiam para atingir os órgãos sensoriais ou de movimentos através de sua inervação. Foi um seguidor da fisiologia galênica, estudando os órgãos sensoriais e movimento através da inervação. Mas tarde essa idéia é comprovada não por espíritos animais que percorrem os nervos, mas por uma natureza elétrica na condução nervosa. (Hoje relacionada com as ações dos neurotransmissores). (PETRUCELLI, 1997).
Gasparo Aselli (1581-1626) descobriu que após a ingestão abundante de comida o peritônio e o intestino de um cachorro se cobriam de umas fibras brancas que, ao serem divididas, extravasavam um líquido esbranquiçado. Tratava dos capilares quilíferos4
No século XVI, Francis Glisson (1597-1677) descreveu em detalhes o fígado, o estômago e o intestino. Apesar de ser seguidor aristotélico, teve concepções modernas, como a que se refere aos impulsos nervosos responsáveis pelo esvaziamento da vesícula biliar.
Em 1611, Niels Steenson, estabeleceu a diferença entre glândula e os nódulos linfáticos. Considerava que as lágrimas provinham do cérebro. A nova concepção dos sistemas de transporte do organismo que se obteve graças às contribuições de muitos investigadores ajudou a resolver os erros da fisiologia galênica referentes à produção de sangue.
Thomas Warton (1614-1673) deu um grande passo ao ultrapassar a velha idéia de que o cérebro era uma glândula que secretava muco. Descreveu as características diferenciais das glândulas digestiva, linfáticas e sexuais. O conduto de evacuação da glândula salivar submandibular conhece-se como conduto de Warton. Uma importante contribuição foi distinguir entre glândulas de secreção interna chamadas hoje endócrinas, cujo produto cai no sangue e as glândulas de secreção externas conhecidas hoje por exócrinas, que descarregam nas cavidades.
Richard Lower (1631-1691) foi o primeiro a realizar transfusão direta de sangue, demonstrando a diferença de cor entre o sangue arterial e o venoso, a qual se devia ao contato com o ar dos pulmões.
John Mayow (1640-1679) afirmou que a vermelhidão do sangue venoso se devia à extração de alguma substância do ar. Chegou à conclusão de que o processo respiratório não era mais que um intercâmbio de gases do ar e do sangue; este cedia o espírito nitro aéreo e ganhava os vapores produzidos pelo sangue.
Em 1664 Thomas Willis (1621-1675) publicou o compêndio mais detalhado sobre o sistema nervoso. Seus estudos anatômicos ligaram as artérias do cérebro, ao décimo primeiro par craniano e também a um determinado tipo de surdez. Contudo, sua obsessão em localizar no nível anatômico os processos mentais o fez chegar a conclusão equivocada; entre elas, que o cérebro controlava os movimentos do coração, pulmões, estômago e intestino e que o corpo caloso era assunto da imaginação.
Em 1665, Robert Hooke (1635-1703) demonstrou que um animal podia sobreviver também sem movimento pulmonar se inflasse ar nos pulmões. Descobriu a estrutura celular e utilizou pela primeira vez a palavra célula.
No século XVII, foram efetuadas notáveis descobertas no campo da anatomia e da fisiologia humana, ocorreram importantes esclarecimentos das funções respiratórias. (PETRUCELLI, 1997).
Até a época de Harvey se pensava que a respiração estimulava o coração para produzir espíritos vitais no ventrículo direito. Harvey, demonstrou que o sangue nos pulmões mudava de veneso para arterial, mas desconhecia como essas transformações ocorriam.
Durante o século XVIII e XIX realizaram-se numerosos estudos de anatomia comparada com o fim de verificar as semelhanças existentes entre as diversas espécies animais.
Destacaram-se nesse campo o inglês Edward Tyson e o francês Georges Cuvier. Esse último compreendeu a relação entre as diferentes partes de um mesmo animal, o que possibilitou deduzir a forma do animal completo a partir de um pequeno resto.
Segundo Paula (2003, p.7), no século XVIII, ficou demonstrada a natureza elétrica na condução nervosa, destacando-se para isso o trabalho de Luigi Galvani (1737-1798), inicialmente e já no século seguinte, o de Emil Du Bois-Reymond (1818-1896). Du Bois realizou seus estudos sobre a transmissão nervosa na década de 1840 e, na década de 1870, propôs que os órgãos efetuadores seriam excitados pelos nervos através de corrente elétrica, ou de substâncias químicas liberadas nas terminações nervosas, encerrando assim o ciclo dos espíritos como causadores de atividades nervosa.
2.1.5 A contribuição da teoria evolucionista de Darwin
Finalmente as idéias transformistas se consolidaram na 5teoria de Charles Darwin, exposta em seu livro On The Origin of Species by Means of natural Selection (1859), sobre as origens das espécies por meio da seleção natural. Baseado em uma vasta coleção de dados, coletados em vários lugares do mundo e na ampla competência teórica adquirida durante anos de pesquisa, Darwin afirmou nesta obra que, dentro da enorme variedade que se observa numa mesma espécie, o meio seleciona os indivíduos mais aptos à sobrevivência, os quais transmitem à descendência suas próprias características.
As obras de dois pesquisadores, Thomas Robert Malthus e Charles Lyel, tiveram profunda influência na origem e desenvolvimento das idéias evolucionistas de Darwin. A obra de Malthus, intitulada An Essay on the Principle of Population (1878) Ensaio sobre o principio da população, foi publicada em Londres e logo provocou grandes discussões em todo mundo cientifico da época. Lyel, fundador da geologia, publicou também em Londres o livro Principles of Geologgy (1832) Princípios de geologia, também de ampla repercussão.
Além do grande avanço conceitual proporcionado pelas teorias evolucionistas de Darwin e de outros naturalistas, como Alfred Russel Wallace, o século XIX foi fecundo para a biologia em muitos outros campos. A descobertas do alemão Christian Heineich Pander e de Karl Ernst von Baer em seus estudos sobre embriologia, estabeleceram-se bases da teoria celular, segundo a qual todos os organismos se compõem de células. Essa teoria foi aplicada às plantas por Matthias Jakob Schleiden e aos animais por Thedor Schwann. Virchow, afirmou que toda célula provém de outra célula e deu um impulso à patologia celular ao relacionar algumas doenças com processos celulares anormais. Hugo von Mohl descobriu a existência de um núcleo e de um protoplasma na célula. Também se estudou o processo da mitose, pelo qual uma célula se divide em duas, nos animais (Walther Flemming) e nas plantas (Eduard Strasbuger). O zoólogo alemão Hermann Fol descreveu o processo de fecundação do óvulo pelo espermatozóide, e o citologista belga Edouard van Benedem, o da meiose, para formar os gametas. Outro avanço fundamental no campo das ciências biológicas resultou do trabalho de Pasteur, que demonstrou o papel desempenhado pelos microorganismos no desenvolvimento de doenças infecciosas e realizou estudos sobre a fermentação, a partir dos quais Eduard Buchner conseguiu isolar uma das enzimas participantes desse processo.

2.2 A História do Sistema Nervoso

2.2.1 As contribuições do fisiologista Claude Bernard

De acordo com Paula (2003, p. 12) em 1865, Claude Bernard (1813-1878) foi um fisiologista, francês, um dos mais importantes de todos os tempos, considerado o “pai” da moderna fisiologia experimental. Observou que a composição química do fluido corporal no qual a células vivem é, em geral, bastante estável, variando apenas dentro de uma faixa limitada, independentemente de quanto sejam grandes as mudanças no meio que envolve o organismo. A esse ambiente estável deu o nome de millieu intèrieur, ou meio interno, expressão que é usada ainda hoje.
Claude Bernard foi o primeiro a perceber que o equilíbrio químico do corpo pode ser controlado pelo sistema nervoso.
O sistema nervoso envolvido em funções como o controle do fluxo sanguíneo e do ritmo cardíaco foi descrito, três década, mais tarde, pelos ingleses Walter Gaskell (1847-1914) e John Langley (1852-1925). Os dois estudaram em detalhes a estrutura daquilo que Langley chamou de sistema nervoso autônomo, acreditando que os seus componentes funcionariam em considerável grau de independência do restante do sistema nervoso. Mas foi o fisiologista americano Walter Cannon (1871-1945) quem demonstrou, no século XX, como o sistema nervoso autônomo regula o meio interno do corpo.
Em 1890, nos EUA, o farmacologista americano John Jacob Abel (1857-1938) foi indicado como professor de Farmacologia de Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan. Dois anos depois, Abel foi convidado a assumir a cátedra de Farmacologia da Universidade John Hopkins, em Baltimore, onde realizou a parte mais importante de seus trabalhos. Em 1900, Abel e colaboradores isolaram a adrenalina na medula das Supra-renais.
Em 1905, Reid Hunter, um de seus colaboradores, isolou a acetilcolina. Num período de cinco anos foram descobertos, no laboratório de Abel, os hormônios do sistema nervoso simpático e parassimpático, para Abel, a função simpática seria lutar ou fugir, enquanto a parassimpático seria repousar e digerir, já Cannon se referia ao forte envolvimento da divisão simpática na homeostasia das situações de emergência, nas quais o indivíduo se confronta com um ataque, por exemplo, perante o qual deverá exercer um grande esforço físico, seja para lutar ou fugir. Descreve a participação da divisão parassimpático na contínua homeostasia cotidiana, em que o organismo realiza as funções normais de repouso fisiológico, em particular as digestivas.
Embora tenham sido citadas durante muito tempo, as pesquisas recentes não levam ao extremo essas generalizações de Cannon, já que se demonstrou que a divisão simpática participa também da homeostasia de repouso, bem como da divisão parassimpático da homeostasia de emergência. Atualmente sabe-se que ambas interagem na regulação do funcionamento orgânico continuamente.
De acordo com Paula (2003, p. 15) no século XX a pesquisa sobre a mediação química da ação do sistema nervoso vegetativo, como era denominado anteriormente, se expandiu, o estudo do sistema nervoso autônomo, estava se desenvolvendo muito rápido. Em diversos laboratórios do mundo, vários pesquisadores, investigavam as ações e propriedades do Sistema Nervoso Autônomo através da farmacologia das recém identificadas acetilcolina e adrenalina. Um professor de fisiologia de Viena, Áustria, chamado Otto Loewi, empolgou-se por esses estudos e, após passar doze anos trabalhando em farmacologia do Sistema Nervoso Autônomo, realizou, na Universidade de Graz, o experimento que comprovaria de maneira incontestável, pela primeira vez na história, que existia a transmissão química no Sistema Nervoso Autônomo.
O experimento era muito simples: isolou dois corações de sapos e os perfundiu com uma solução fisiológica morna. Os corações nestas condições continuam vivos e batendo por algumas horas, ele então estimulou o nervo vago de um dos corações e, devido a esta estimulação, ocorreu uma forte inibição das contrações cardíacas do coração. Notou que o outro coração não era afetado a não ser que ele o perfundisse com o líquido efluente do coração estimulado. Quando o fazia, ele conseguia exatamente o mesmo efeito que no primeiro, ou seja, a redução da freqüência cardíaca no segundo, apenas com um pequeno retardo provocado pela ação da bomba e pela ação química em si.
A interpretação para esse resultado é que deveria haver uma substância no primeiro coração que era liberada pela ação do sistema parassimpático e que tinha o poder de agir sobre a sinapse neuromuscular do mesmo sistema no segundo coração da experiência. Otto Loewi batizou essa substância de Vagusstoff (substância vagal). Otto Loewi estava convencido que essa substância era a acetilcolina, o que realmente foi comprovado posteriormente.
Para estudar os efeitos da estimulação do sistema simpático Otto Loewi usou a mesma preparação, obtendo um efeito oposto, conforme se esperava: ao estimular os nervos ganglionares do primeiro coração. Ele obteve uma aceleração dos batimentos e da força contrátil do segundo coração, em um efeito similar à adrenalina injetada. Com a mesma cautela ele chamou essa substância de Acceleransstoff (substância acelerante). Também usou o termo transmissão neuro-humoral para explicar o que tinha descoberto.
Otto Loewi ainda questionava se existia transmissão neuro-humoral no Sistema Nervoso Central. Não haviam técnicas adequadas para as pesquisas o que a tornavam mais difíceis. (PAULA, 2003, p. 15).
Em 1929 - 1936, Sir Henry Dale, em uma série de experimentos determinou que a acetilcolina era também o neurotransmissor na sinapse entre o sistema nervoso e o músculo esquelético e que as sinapses ganglionares podiam ser colinérgicas ou adrenérgicas, conforme Otto Loewi tinha demonstrado. Assim, Dale pôde comprovar que o mecanismo químico da transmissão diz respeito não apenas aos efeitos dos nervos autonômicos, mas também como totalidade das atividades eferentes do sistema nervoso periférico, seja voluntário ou involuntário em função. Foi o primeiro a usar os termos sinapses colinérgica e sinapses adrenérgicas. (PAULA, 2003, p. 7).
2.2.2 A História da Neurociência no Brasil
Para Timo-Iaria6, a história da fisiologia do sistema nervoso em qualquer país confunde-se com a história da própria fisiologia, da disciplina da Biologia que estuda o funcionamento dos seres vivos.
No século V a.C., Alemeon, discípulo de Pitagóra nas regiões da Magna Grécia que é hoje a Calábria italiana, descobriu o nervo óptico e chegou ao avançado conceito de que o sistema nervoso, particularmente o encéfalo, é a sede das sensações e da atividade mental. Quase à mesma época, outro grande grego, Hipócrates, fundador da medicina objetiva, afirmava que é no encéfalo (enkephalon), e somente no encéfalo, que nascem os prazeres, alegrias, os risos e as graças, assim como as tristezas, dores, angústias e o pranto. É através do encéfalo que o indivíduo pensa, vê, ouve e distingue o feio do belo, o mau do bom, o agradável do desagradável, sendo que o encéfalo pode tornar o sujeito louco ou delirante, inspirar pavor, medo, não importa se for noite ou dia, é o mesmo encéfalo que permite o sono e o engano indesejável, a ansiedade inútil, a distração e os atos contrários aos hábitos e defeitos no homem tornando o mesmo enfermo ou saudável. Hipócrates há 25 séculos atrás atribuía ao sistema nervoso a gênese da mente em todas as suas formas normais mas também em suas manifestações psiquiátricas.
Outro motivo pelo qual a história da neurofisiologia se confunde com a história da fisiologia é que toda e qualquer função do organismo tanto animal invertebrado ou vertebrado, ou seja, até a mais evoluída é regulada ou pelo menos modulada pelo sistema nervoso. Ou seja, os estudiosos dos sistemas cardiovascular, respiratório, digestivo, imunológico, endócrino e renal sempre tiveram que investigar sua regulação nervosa para compreendê-los, tornando difícil delimitar corretamente a extensão das pesquisas primariamente relativas ao sistema nervoso.
Em endocrinologia, por exemplo, quem não pesquisa em bioquímica dos processos endócrinos pesquisa sua regulação pelo sistema nervoso. No domínio da fisiologia cardiovascular as pesquisas mais revolucionárias também se relacionam com a bioquímica dos fatores humorais ou com os mecanismos neurais de regulação.
A imunologia básica igualmente ocupa-se em tempos atuais sobretudo de seus mecanismos moleculares ou de sua regulação nervosa.
Quanto mais se estuda a fisiologia nervosa cada vez menos se pode dissociar o estudo anatômico da abordagem funcional do sistema nervoso. Para acolher essa interdisciplinaridade, criou-se há alguns anos o nome de Neurociência, com a finalidade de englobar o estudo da estrutura e de todas as funções, normais ou patológicas, do sistema nervoso.
O estudo da fisiologia experimental e sistemática, no Brasil, começou, com os irmãos Álvaro e Miguel Ozório de Almeida, no Rio de Janeiro, os quais também iniciaram as pesquisas em neurofisiologia. Membros de uma família de classe alta, os dois irmãos montaram um autêntico Instituto de Fisiologia em uma casa, e inventaram a fisiologia brasileira, com a finalidade de estudar o metabolismo.
Álvaro Ozório criou uma escola onde seu discípulo Paulo Enéas Galvão tornou-se fisiologista internacionalmente conhecido por seus clássicos estudos do metabolismo em climas quentes, onde confirmaram e estenderam os conceitos enunciados em meados do século XIX pelo médico alemão Robert Meyer, conceitos esses fundamentais para a descoberta do metabolismo e para a criação da Termodinâmica.
Miguel Ozório de Almeida, entretanto, pesquisou a vida toda em fisiologia e fisiopatologia do sistema nervoso. No ano 1944, publicou um livro sobre os processos de inibição e facilitação no sistema nervoso central e periférico (L’ inhibition et la facilitation dans lê système nerveux central et périphérique). Miguel Ozório sentia particular atração pelos mecanismos das epilepsias, realizou extensos estudos em epilepsia experimental. Vários fisiologistas dedicados ao estudo do sistema nervoso se diferenciaram nos anos 30 e 40, direta ou indiretamente sob influência de Miguel Ozório.
Aristides Azevedo Pacheco Leão tornou-se o mais célebre neurofisiologista brasileiro por ter descoberto a depressão alastrante em 1944, quando se doutorou na Harvard Medical School. Esse ainda enigmático fenômeno vem sendo desde então estudado por pesquisadores brasileiros, europeus, americanos e japoneses. Leão, de tradicional família do Rio de Janeiro, veio em 1932 estudar Medicina na Faculdade de Medicina de São Paulo. Tendo adoecido, retornou ao Rio de Janeiro e anos mais tarde foi doutorar-se nos Estados Unidos. Após sua volta ao Brasil, juntou-se a Carlos Chagas no recém-criado Instituto de Biofísica e agregou numerosos discípulos.
Carlos Chagas Filho, cujo pai, Carlos Chagas, realizou extraordinária obra em Medicina ao descobrir a moléstia que leva seu nome, fundou o Instituto de Biofísica em 1941 como parte da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi pioneiro no estudo dos mecanismos de transmissão química, usando como modelo a eletroplaca de peixes elétricos. Carlos Chagas Filho cercou-se de alguns cientistas ilustres. Como Rita Levi Montalcini que ao passar uma temporada no Instituto de Biofísica fez experimentos cruciais onde descobriu o primeiro fator de crescimento neural.
Em 1950, Eduardo Oswaldo-Cruz Filho e Carlos Eduardo Guinle da Rocha-Miranda, juntaram-se a Carlos Chaga Filho. Além de hábeis eletrofisiologistas, esses dois importantes cientistas iniciaram no Brasil a neuroanatomia, dedicando-se sobretudo ao estudo do sistema visual e olfativo do gambá e de macacos.
Rocha-Miranda foi o primeiro biólogo brasileiro a utilizar computação eletrônica em suas pesquisas no Brasil. Seu digital tornou-se disputadíssimo quando ainda era o único computador do país em uma instituição dedicada ao estudo da Biologia.
Outro grande pioneiro da neurofisiologia no Brasil foi, sem dúvida Miguel Rolando Covian, que em 1955 veio da Argentina para dirigir o então Departamento de Fisiologia e Biofísica da Faculdade de Medicina, na Universidade de São Paulo. Covian discípulo do grande Houssay, tinha forte cultura em Fisiologia, navegando bem em fisiologia endócrina, cardiovascular e nervosa. Oriundo de importante laboratório de fisiologia endócrina, Covian foi, independente de Thales Martins e Ribeiro do Valle, um dos criadores da Neuroendocrinologia.
Seguidor de Covian é um dos grandes nomes da neuroendocrinologia moderna, José Antunes Rodrigues, presidente da Sociedade Brasileira de Fisiologia.
2.2.3 A história da descoberta da Sinapse
De acordo com Sabbatini7 (2003), os neurônios não se fundem ao nível de suas ramificações.
A “junção neuronal” , como era denominada, era muito pequena para ser vista pelos microscópios da época, e assim não era possível documentar a fenda que certamente existi no ponto de contato. De fato, a prova morfológica definitiva de sua existência ocorreu apenas em 1954, através do trabalho de George Palade / Eduardo de Robertis e George Palay, que usaram o microscópio eletrônico e novas técnicas de ultramicrotomia e coloração para conseguir visualizar a ultraestrutura sináptica, graças aos enormes aumentos conseguido com esses equipamentos. Eles foram capazes de demonstrar claramente a existência dos elementos pré-sinápticos e pós-sinápticos distintos, bem como a fenda sináptica e as vesículas pré-sináptica, que mais tarde comprovou-se conterem as moléculas de neurotransmissores.
O problema da natureza da transmissão de um neurônio para outro, também foi um ponto importante e considerado na pesquisa entre os neurofisiologistas do começo do século XX. Muitos defendiam a idéia de que a transmissão era elétrica, da mesma forma como a propagação ao longo da célula. O grande fisiologista Emil Du Bois-Reymond, o descobridor do potencial de ação, em 1846 tinha proposto que somente duas hipóteses poderiam ser consideradas para a transmissão entre neurônios: elétrica ou química. Muitos anos depois, entretanto, ao nascer o interesse no mecanismo sináptico, as hipóteses de transmissões elétricas pareciam fazer mais sentido. Alguns cientistas chegaram a imaginar faíscas elétricas microscópicas atravessando a fenda sinápticas, pois configurava uma imagem mais simples do sistema nervoso.
Conforme Sabbatini (2003) muitos, dos experimentos, que forneceram estes dados, foram realizados no laboratório do grande fisiologista inglês Sir Charles S. Sherrington (1852-1952), que investigou no final dos anos de 1890, a fisiologia dos reflexos motores simples e complexos. Complementando a linha de raciocínio do “pai“ da fisiologia, Claude Bernard (1813-1878), que tinha descoberto o papel integrativo do sistema nervoso no organismo. Sherrington argumentou que a junção entre os neurônios era via final da regulação da transmissão no sistema nervoso, ou seja, tinha um papel supremo na integração de suas funções. Ele foi o responsável por dar um nome mais curto a esta junção “sinapse“, que em Grego, significa “prender”.
O brilhante trabalho de Sherrington ganhou um prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, em 1921, esclareceu numerosas propriedades dos arcos reflexos em nível espinhal, e de como eles são influenciados e modulados por estruturas cerebrais em nível mais alto, tal como no cerebelo e no tronco cerebral. Ele foi um dos primeiros a descobrir as inter-relações entre a excitação e inibição central e seu papel fundamental na integração das atividades do sistema nervoso. Como conseqüência, ele propôs a existência de sinapses de dois tipos, excitatórias e inibitórias, o que foi um conceito inovador. Ele só pode ser comprovado experimentalmente duas décadas depois. Seu trabalho foi imortalizado em um dos mais clássicos textos da neurofisiologia moderna, “The Integrative Action of the Nervous System”, publicado pela primeira vez em 1906.
O mesmo conceito de excitação e inibição aparecia novamente no estudo do Sistema Nervoso Autônomo (SNA). Ele é à parte do sistema nervoso responsável pelo controle de órgãos viscerais, como o coração, vasos sangüíneos, o sistema gastrointestinal, o sistema urinário, as glândulas exócrinas, e assim por diante. Desde o século XIX, os neurofisiologistas e neuroanatomistas vinham estudando detalhadamente como o Sistema Nervoso Autônomo se distribuía no organismo e quais eram suas funções básicas.
Descobriram que a força de contração dos músculos cardíacos e a freqüência das batidas cardíacas podiam ser alteradas em direções opostas conforme a ação de duas divisões do Sistema Nervoso Autônomo. A força de contração e a freqüência cardíaca eram aumentadas quando a divisão simpática era ativada por exemplo, estimulando eletricamente os nervos ganglionares que inervam o coração. Elas eram diminuídas, no entanto, se a estimulação fosse feita no nervo vago, que carrega a divisão parassimpático do Sistema Nervoso Autônomo. (SABBATINI, 2003)
Como o órgão-alvo (o tecido muscular estriado cardíaco) desses dois sistemas nervosos era o mesmo, a conclusão lógica inescapável era que deveriam existir dois tipos de influência sobre as mesmas sinapses: excitatórias e inibitórias. O grande mistério, portanto, era imaginar como uma transmissão elétrica no mesmo ponto poderia conseguir dois efeitos totalmente opostos. A solução estava novamente em uma sinapse química. Uma forte evidência a seu favor seria a descoberta da natureza desses dois elementos químicos distintos, através do estudo de substâncias que imitassem os efeitos da ativação do Sistema Nervoso Autônomo no caso, nesse órgão-alvo.
Esta evidência já era considerável. Henry Halett Dale (1865-1968), um fisiologista inglês, que tinha investigado em 1914 as ações de uma substância ativa no ergot,8 que era extraído de um fungo que infectava grãos como trigo, e que provocava fortíssimos efeitos sobre o sistema nervoso autônomo, podendo levar à morte. Por acidente, ele descobriu que esta substância revertia, no coração, os efeitos da adrenalina, uma substância extraída da medula da glândula adrenal, e que provocava efeitos aceleradores sobre o coração, conforme tinha sido determinado pelos estudos de outro fisiologista inglês, T.R. Elliot, em 1904. Estudando mais intimamente os efeitos dessa substância misteriosa do ergot em preparações de coração, ele determinou que ela era idêntica a uma molécula conhecida como acetilcolina, e que tinha uma ação similar conseguida por estimulação do sistema parassimpático.
Todas estas evidências convenceram os neurocientistas no começa do século XX que muitas das sinapses eram de natureza química, e que a adrenalina e a acetilcolina pareciam ser bons candidatos para os primeiros transmissores a serem identificados. Entretanto, a prova fundamental que faltava veio apenas em 1921, com os experimentos cruciais realizados por Otto Loewwi já citado. (SABBATINI, 2003).

2.2.4 A atuação dos neurotransmissores autônomos
Todas as funções autônomas são mediadas pela liberação de substâncias químicas neurotransmissoras. Estas substâncias podem ser liberadas nos gânglios ou na periferia. Duas substâncias químicas são importantes como transmissores químicos autônomos: a acetilcolina e a noradrenalina. Elas são secretadas pelos neurônios pós-ganglionares e atuam sobre os diferentes órgãos causando efeitos, respectivamente, parassimpáticos ou simpáticos. Portanto, essas substâncias se chamam mediadores colinérgicos e adrenérgicos. (PAULA, 2003, p.7).
Hoje se acredita que o sistema nervoso autônomo é o efetor de um sistema homeostático maior cujos “painéis de controle” ficam situados em vários núcleos do tronco encefálico, do hipotálamo e do prosencéfalo basal, supridos de sinais contínuos provenientes de todas as partes do organismo, também, se reconhece que os pontos de ajuste homeostático podem sofrer mudanças ao longo da vida e podem ainda ser parcialmente influenciados pelo contexto em que os mecanismos sensitivos atuam. Por isso em 1998, se propôs, que usasse a palavra “homeodinâmica” no lugar de homeostase.
      1. Modo de atuação do Sistema Nervoso Autônomo no controle do organismo
De acordo com Paula (2003, p. 7) o sistema Nervoso Autônomo dispõe de dois modos de controle do organismo: um modo de reflexo e um de comando. O modo reflexo envolve o recebimento de informações provenientes de cada órgão ou sistema orgânico e a programação e execução de uma resposta apropriada. O modo de comando envolve a ativação do Sistema Nervoso Autônomo por regiões corticais ou subcorticais, muitas vezes voluntariamente. Muitas vezes, o Sistema Nervoso Autônomo emprega, simultaneamente, o modo reflexo e o modo de comando. Outras vezes, só um dele entra em ação.
      1. O homem, a sociedade e as atividades psíquicas
Para Luria, (1991, p. 1) o indivíduo está inserido em uma sociedade onde sente necessidades e procura satisfazê-las, recebe informação e orientação deste meio. Em seu cérebro forma imagens irreais e reais, faz planos e programa sua vida, verifica os resultados e de acordo com esses experimenta emoções agradáveis e desagradáveis, entra em conflito ou encontra a solução. A atividade do indivíduo é representada por suas ações.
Ao descrever a vida psíquica do homem e explicar as causas dos seus atos é necessário saber descrever o cérebro humano e as influências dos neurônios cerebrais na formação do indivíduo e em sua subjetividade.
No passado o comportamento do homem foi discutido pela filosofia idealista que via no psiquismo um fenômeno de tipo especial, isolado de todos os outros processos naturais.
Os filósofos assumiam diferentes posições em relação à consciência, considerando manifestação da razão divina ou resultado de sensações subjetivas ou um mundo subjetivo especial, que podia ser revelado através da auto-observação, (introspecção) sendo inacessível à análise científica objetiva ou à explicação científica.
No século XIX o enfoque dualista focalizava os processos físicos e psíquicos onde incluía sensações e movimentos como processos naturais sucessíveis de estudo por métodos científicos, e os fenômenos psíquicos onde incluía consciência, pensamento, como manifestação espiritual. Essa tese fez com que a psicologia fosse dividida em Psicologia Naturalista Científica e Psicologia Fisiologista. A Psicologia Naturalista estuda as bases naturais dos processos psíquicos, aproximando-se da biologia e fisiologia.
A Psicologia Fisiologista ou Psicofisiologia estudava os processos psicológicos do homem com a aplicação de diversos métodos fisiológicos, surgindo com esses estudos à organização dos primeiros laboratórios de Psicologia, que passaram a estudar as sensações, memória, atenção e movimentos se aproximando dos estudos da fisiologia dos órgãos dos sentidos e da fisiologia da atividade nervosa superior. Controvérsias surgem dizendo que os fenômenos do mundo psíquico devem ser estudados pela Psicologia Naturalistas com os mesmos meios empregados no estudo de outros fenômenos da natureza.
Um psicólogo fisiologista russo, Ivan Pávlov (1849-1936), criou um estudo objetivo da atividade nervosa (psíquica) superior com a aplicação dos reflexos condicionados tentando formalizar um enfoque das bases objetivas e fisiológicas da atividade psíquica e fundamentar a possibilidade de uma Psicologia Objetiva e Naturalista, com isso durante muitos séculos o psiquismo do homem foi tratado como fenômeno de tipo especial isolado de todos os outros processos naturais.
De acordo com Aldriege (2004, p.40) os principais interesses de pesquisa de Pavlov eram a função dos nervos do coração, a atividade das glândulas digestivas e os mecanismos dos centros nervosos superiores no cérebro No entanto foram as pesquisas sobre a digestão que lhe trouxeram reconhecimento, atualmente é conhecido por descobrir o condicionamento pavloviano ou “clássico” trabalho decorrente das pesquisas sobre a digestão.
Atualmente, os condicionamentos de Pavlov são comparados com os modos mais simples e eficazes para o cérebro se adaptar ao seu ambiente. Seu método de estudo do comportamento exerceu enorme influência e orientação na nova ciência da psicologia.
No mesmo século o psicólogo americano Edwardd Lee Thorndike começou a estudar o comportamento dos animais, aplicando métodos que permitiam observar como os animais adquiriam novas habilidades. Essas experiências realizadas em laboratório serviram de base a uma nova corrente na Psicologia, denominada Behaviorismo ou Ciência do Comportamento. Nessa corrente o psicólogo J.B. Watson considerava as pesquisa até então realizadas como forma descritiva dos comportamentos externos do animal, em que levavam em conta as necessidades biológicas dos animais e dos reflexos condicionados. Assim surgiu uma corrente que abandonava todo o estudo do mundo subjetivo e limitava à descrição das formas exteriores de comportamentos, mas logo o Behaviorismo mecanicista da atividade psíquica, revelou sua limitação.
Também a Psicologia Naturalista explicava os processos psíquicos limitando-se aos processos psicofisiológicos e recusando-se a examinar os fenômenos complexos humanos da atividade conscientes. De acordo com Luria (1991, p.6) um outro psicólogo que surge é Vigotsky que tenta enfocar o psiquismo como formas complexas de representações da realidade, que se constituíram ao longo da história da sociedade. Crítica a tentativa de enfocar o psiquismo como função imediata do cérebro e procurar a sua fonte no oculto do cérebro, admite que a vida psíquica dos animais surge de sua atividade representada da realidade e que é realizada pelo cérebro mas que não pode ser explicada somente por suas funções e que é uma interação com a história social da humanidade.
A biologia é uma ciência com a qual a Psicologia deve manter a mais estrita ligação, é necessário ter uma noção nítida das diferenças que existem na vida dos vegetais e animais para perceber o que distingue todo tipo de comportamento ativo, baseado na orientação do meio, das formas de vida e nos processos do metabolismo e nas condições que pode ocorrer fora das condições de uma orientação ativa da realidade. A segunda ciência que a Psicologia deve manter a mais restrita ligação é a fisiologia, sobretudo a parte referente à atividade nervosa superior. A fisiologia trata dos mecanismos que exercem diferentes funções no organismo, ocupando-se da atividade nervosa superior dos mecanismos de trabalho do sistema nervoso que concretizam o “equilíbrio” do organismo com o meio.
É fácil perceber a necessidade de conhecer o sistema nervoso, de conhecer as leis pelas quais realiza a regulação dos processos do metabolismo no organismo, como regulam o funcionamento dos tecidos nervosos, que materializa os processos de excitação e inibição, das complexas formações nervosas que executam os processos de análise e síntese, de confluência das conexões nervosas, e asseguram os processos de irradiação e contração da excitação. É igualmente importante o conhecimento das formas básicas das células nervosas, que se encontram em estado normal ou inibido. Tudo isso é necessário para que um psicólogo, que estuda os tipos principais de atividade psíquicas do homem, não se limite à simples descrição desses tipos mas saiba em que mecanismos se baseiam essas formas complexas de atividades.
Luria (1991, p. 10) vai mais longe, concorda que as formas principais de atividade psíquica do homem surgem nas condições da história social, desenvolve-se no processo de atividade material surgido ao longo da história, baseia-se nos meios do trabalho onde os empregos dos instrumentos de trabalho e linguagem fizeram o homem dispor das possibilidades de que dispõe o seu comportamento, caso contrário ficaria privado da comunicação com o meio ambiente. É natural que as formas de atividade do homem são executadas pelo cérebro, mas interagindo com o meio social.
Se na formação do comportamento do animal as condições biológicas de vida desempenham papel determinante, na formação do comportamento do homem esse papel é desempenhado pelas condições da história social, que cria formas novas de uma complexa relação com a realidade, mediada pelas condições de trabalho, formas essas que são fontes de novas formas especificamente humanas de atividade psíquica.
A ciência psicológica atual, que estuda antes de tudo as formas especificamente humanas de atividades psíquicas, não pode dar um só passo sem levar em conta os dados que obtém das ciências sociais: do materialismo histórico, da lingüística . Só levando em conta as condições sociais, que formam a atividade psíquica do homem, que pode a Psicologia obter uma sólida base científica. (LURIA, 1991, P.10)
Ferguson, (2000,p.284) ressalta a necessidade de inovação. À medida que as culturas se tornam mais complexas, exigindo que o indivíduo na sociedade receba a cada dia mais estímulos,ou seja, informações do que recebiam 100 anos atrás, onde a ciência evolui aceleradamente, se faz necessário uma compreensão maior do todo do cérebro. Já que o cérebro direito integra informações novas e difusas, é responsável pela inovação onde sente, sonha e imagina, trata das experiências que não teve contato, e o esquerdo processa informações instantâneas de estímulos, ou seja, testa, analisa verifica, elabora e apóia as novidades que se fazem presentes, e juntos planejam o futuro, pois é preciso dar um nome, definir tudo que o cérebro registro caso contrário se perde.
Atualmente a sociedade requer um rápido reajustamento do indivíduo e de uma associação da ciência sobre o mundo físico que o mesmo está inserido. Não levar em conta o biopsicossocial é contextualizar o sujeito fragmentado.
Esclarece Perls (1977, p.21) a sociedade inadvertidamente, pode forçar os indivíduos no limite de suas tendências inatas a adaptar-se aos conceitos, normas, regras por ela estipulada, mais isso só desencadeia reações anti-sociais. A criança tímida que quer ser aceita, é moldada a uma posição conformista e passiva diante do autoritarismo.
O cérebro direito não pode verbalizar aquilo que não sabe, seus símbolos, imagens ou metáforas precisam ser reconhecidos e reformulados pelo cérebro esquerdo antes que a informação seja conhecida na integra. Caso suas imagens aparecerem truncadas, ou uma exigência externa não possa ser realizada, o indivíduo entra em conflito interno sem saber a saída, culpando-se por incapacidade ou conformando-se, pois não conhece a maleabilidade do cérebro, não desenvolvendo assim suas potencialidades.
A contribuição da Gestalt no estudo do Cérebro humano
Gestalt segundo Ginger (1995, p. 13) é uma palavra alemã, hoje adotada no mundo inteiro, significa “dar forma”, ou uma formação, dar uma estrutura significante; indica ação em curso ou acabada, ou “formas boas”.
A Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Forma é sinônimo da Gestalt-Terapia de Perls.9
Os Gestaltistas defendem a teoria que o campo perceptivo se organiza espontaneamente, sob a forma de conjuntos estruturados e significantes. Enfatizam que a percepção de uma totalidade, no caso um rosto humano, não se reduz à soma dos estímulos percebidos, é preciso observar o conjunto de um rosto para saber que olhos, boca, nariz etc. significa um rosto, mas ressalta que a água é diferente do oxigênio e do hidrogênio, ou seja, uma parte num todo é algo bem diferente desta parte isolada ou incluída num outro todo. Ao observar um nariz isolado do conjunto do rosto, o nariz passa a ser a figura principal e não o rosto em seu todo, e um nariz isoladamente não é um rosto, por tanto uma parte isolada é diferente de um todo. Para compreender um comportamento humano, é preciso analisá-lo num conjunto mais amplo do contexto global.
No caso do indivíduo que apresenta um comportamento que lhe diferencie de seus semelhantes, observar exclusivamente seu sintoma sem levar em conta outros contextos é observar uma parte num todo que é bem diferente desta incluída num outro todo. Quando o comportamento de um indivíduo é observado, não é levada em consideração a máquina complexa que está por trás de todas as suas ações, pensamentos, desejos, emoções, etc... Essa máquina complexa chama-se cérebro, muitas vezes ignorada. Ginger (1995, p. 176) compara essa máquina humana (cérebro) a um computador, onde ficam armazenadas todas as informações e processados todos e qualquer atos. O Homem não dá um só passo antes que tenha sido armazenado em seu cérebro esse aprendizado.
Sabe-se que o indivíduo sofre psiquicamente por vários motivos. Mas não se sabe se no decorrer da vida esses conflitos enfrentados, são os ativadores das regiões do cérebro afetadas, ou essas regiões debilitadas são as que ativam os conflitos.
No decorrer da Psicologia Científica, muitos estudos foram realizados em relação às lesões cerebrais, mas nenhum para detectar as regiões afetadas por um sofrimento psíquico sem lesões.
Bluma Zeigarnik, apud Ginger (1995; p.39) publicou suas pesquisas sobre necessidades não satisfeitas e sobre as tarefas interrompidas.
A pressão psíquica causada por um trabalho inacabado acarreta uma enorme tensão, pois usará uma taxa de memorização maior do que usaria para trabalhos e necessidades realizados. A persistência dessas pressões psíquicas cria, em longo prazo, uma tensão crônica, na qual Perls considera uma das fontes da neurose.
Ginger (1995, p. 175) faz uma analogia do cérebro e um computador, enfatizando as complexidades e a maleabilidade do cérebro, esclarecendo que a capacidade do cérebro para memorizar é de 125.000 bilhões de unidades de informações, equivalente a capacidade de arquivar 100 milhões de livros.
Sistema Nervoso
Ressaltar o funcionamento das redes neurais do Sistema Nervoso no cérebro é de suma importância para a compreensão do comportamento humano e suas reações. Pois é através do sistema nervoso que os neurônios realizam suas conexões, interagindo com o meio interno e externo do sujeito.
O Sistema Nervoso Central, divide-se em encéfalo, que fica dentro do Crânio e Medula Espinhal que fica dentro da Coluna espinhal e Sistema Nervoso Periférico, que são os nervos e gânglios nervosos espalhados pelo corpo. O Sistema Nervoso funciona através de neurônios, que são células especiais que processam informações, armazenam e trabalham com outras células formando uma rede de quase um (1) quatrilhão de conexões. (TERRA, 1999, p. 42)
Os neurônios estão espalhados em todo o Sistema Nervoso, compostos de corpo, dendritos e axônios. Dentro do Sistema Nervoso Central formam aglomerados de núcleos que são chamados de gânglios que espalhados fora do Sistema Nervoso Central formam o Sistema Nervoso Periférico.
Os neurônios produzem sinais elétricos, substância química que estabelecem conexões uns com os outros, também com os músculos, glândulas, e tecidos, proporcionando as pessoas percepções e informações do mundo interno e externo, comandando todas as reações conscientes e inconscientes do corpo, possibilitando o indivíduo a agir no mundo que vive. Tendo a capacidade de arquivar informações equivalentes a 20 bilhões segundo Osmar Terra (1999, p.44), e 100 milhões de livros segundo Ginger, (1995, p. 176) além de comandar a visão, audição, movimentos, e tudo o que um indivíduo sente tanto corporal como visceral.
Portanto todos os pensamentos são produzidos por neurônios, são eles que permitem enxergar as cores, ouvir uma música, sentir o cheiro, perceber o toque da pele, o sabor do vinho, pensar com lógica, entender as pessoas e sonhar. São também capazes de influenciar, as defesas contra doenças, pois quando estimulados fazem aumentar a produção de substância que estimulam o sistema imunológico.
Prova disso são as pessoas felizes e bem humoradas que ficam menos doentes, quem possibilita isso é a passagem do sinal elétrico (Sinapse) de um neurônio para o outro, viabilizando informações.
3 QUESTÕES NORTEADORAS
  • A maioria dos psicólogos percebem os aspectos que envolvem as redes neurais no sujeito como uma dimensão biopsicossocial?
  • As disfunções psicológicas são relacionadas às redes neurais?
  • Quais as implicações das informações na percepção do indivíduo?
4 METODOLOGIA
4.1 TEMA IN / FOCO
Esta pesquisa visa verificar a influência das redes neurais da percepção no sujeito.
Para este estudo foi utilizada uma pesquisa de campo exploratória de caráter qualitativo, sugerindo desse modo, uma pesquisa descritiva.
4.2 Identificação da Amostra
A população desta pesquisa contou com dois médicos, um feminino e um masculino com RQE, (Registro de Qualificação de Especialista) em neurologia, neurocirurgião da cidade de Criciúma e Tubarão/SC.
4.3 Delineamento
Utilizou-se como instrumento de pesquisa, um questionário com perguntas apresentando a combinação de respostas abertas.
4.4 Instrumento de Coleta de Dados
Foi utilizado como instrumento de coleta de dados, para identificar aspectos objetivos desta pesquisa, um questionário com (17) dezessete perguntas.
4.5 Procedimentos de Coleta de dados
sigilo
4.6 Procedimento de Análise dos Dados
A partir dos dados coletados, foi realizado o procedimento de análise dos mesmos, através dos depoimentos dos pesquisados, com ênfase na teoria da Gestalt.
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
5.1 Caracterização da população pesquisada.

Conforme pesquisa realizada, serão apresentados os resultados obtidos.
Utilizou-se perguntas abertas com o objetivo de conhecer as Influências das redes neurais da percepção no sujeito.
Esses dados foram coletados através do questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa. (Anexo2).

QUADRO nº 1: Dados sócio-demográficos dos sujeitos de pesquisa
SEXO
IDADE
TEMPO DE ATUAÇÃO
F
34
8
M
54
23
Fonte: Pesquisa de Campo

Os questionários foram aplicados dentro de uma amostra de 2 (dois) médicos neurologistas, neurocirurgiões, o que abrange 10% da população total dos profissionais.
5.2 Apresentação da pesquisa propriamente dita.
O cérebro é, em última instância o responsável pela personalidade, cultura, linguagem e razão, mas ainda é preciso especular como o cérebro realmente funciona.
De fato, quase tudo o que fazemos, comemos ou bebemos pode afetar o cérebro. O que não é amplamente compreendido, é o próprio cérebro. Antes de conhecer por que as pessoas pensam desta ou daquela forma, amam, riem, choram ou vêem o mundo do modo que vêem, deve-se, primeiramente conhecer como o cérebro e sua rede neural funciona. As pessoas possuem uma mente e um corpo, isso é óbvio, e que o cérebro é o lugar onde ocorre toda a atividade a que chamamos de pensamento. E que toda essa atividade no Sistema Nervoso depende dos neurônios obviamente. Assim, a mente e o corpo estão intrinsecamente ligados.
Atualmente, a ciência começa a comprovar como é íntima a relação mente e corpo. Novas técnicas por imagem estão mapeando o cérebro em ação, e revelando descobertas fantásticas dos processos neurais físicos que fundamentam os estados mentais, as emoções e os pensamentos. (ALDRIEDG, 2004, p. 11).
Na Gestalt segundo Ginger (1995, p.39), desenvolve-se uma perspectiva unificadora do ser humano, integrando ao mesmo tempo as dimensões sensoriais, afetivas, intelectuais, sociais e espirituais, permitindo uma experiência global, não considera o cérebro como figura mas como fundo, a figura principal é a percepção. A Gestalt tem um ajustamento criador do organismo ao meio, uma consciência dos mecanismos interiores que levam o indivíduo a apresentar certas condutas. Mas coloca essas condutas como processos de interrupção das satisfações do sujeito no ciclo de vida .
Segundo Burow, (1985, p.59), corpo, alma e mente estão numa situação de influência recíproca e não são, por conseguinte, separáveis.
Os psicólogos gestaltistas enfatizaram desde o início do século que “o todo é uma realidade diferente da soma de suas partes”.
Em seguida estenderam seu trabalho à memória, à inteligência, à expressão e, à personalidade como um todo. Salientando os paralelos entre o domínio físico e o domínio psíquico.
Essa ligação mente, corpo e o meio acontece através das células nervosas como descreve, Aldriedd (2004, p.28), existem dezenas de tipos diferentes de neurônios, aproximadamente 53 diferentes tipos de neurotransmissores, mas todos neurônios têm axônios e dendritos que lhe permitem fazer contato com outros neurônios.
Os axônios enviam sinais que são recebidos pelos dendritos. Esse sinal consiste em uma onda de carga elétrica que começa no corpo celular e segue ao longo do axônio. Cada neurônio atua como um computador, recebendo e comparando sinais de muitos outros neurônios antes de decidir se, e com que intensidade, deve disparar e enviar o sinal adiante.
Um axônio encontra um dendrito na fenda sináptica. Na maioria dos casos os sinais são transmitidos através da fenda por mensageiros químicos chamados neurotransmissores, contidos na ponta do axônio. Quando uma célula dispara moléculas neurotransmissores, são liberadas na fenda sináptica e liga-se a receptores no dendrito vizinho. Se houver uma quantidade suficiente de neurotransmissores, eles desencadeiam um sinal no corpo da célula receptora que percorre seu axônio para repetir o processo. Desse modo, um sinal é capaz de percorrer uma enorme rede de células, formando um padrão de disparos neurais que pode representar um pensamento, um sentimento, ou uma percepção. Aldriedd (2004, p.28), descreve os principais neurotransmissores do cérebro conforme se destacam:
Acetilcolina que controla a atividade nas áreas responsáveis pela atenção, o aprendizado e a memória.
Dopamina, ativa as células envolvidas na motivação e no prazer.
Encefalinas e endorfinas, opióides naturais que reduzem a dor e o estresse.
Ácido gama-aminobutírico (GABA) inibe a atividade cerebral e exerce efeito sedativo.
Glutamato, substância química que realiza o trabalho pesado e mantém o cérebro em funcionamento.
Noradrenalina, induz o despertar físico e mental e eleva o humor.
Serotonina, substância química do bem-estar. Produz sensações agradáveis e regula o sono, o apetite e a pressão arterial.
Juntamente com os neurotransmissores, sinapses, atuam os hormônios, qualquer desequilíbrio entre um desses a pessoa sente tanto em seu físico como em sua mente, acarretando em sua vida cotidiana as conseqüências.
Para conhecer a influência das redes neurais da percepção no sujeito, buscou-se maiores esclarecimentos através dos depoimentos de profissionais da área com o objetivo de verificar essas influências e como elas ocorrem e se trabalham sozinhas. Mas antes é importante esclarecer o significado do biopsicossocial, onde Soares (2000, p.7), ressalta que a biologia (do grego bios, “vida” e logos, “tratado”) é a ciência que estuda os seres vivos em todos os seus aspectos de abrangência, quer sejam anatômicos, funcionais, genéticos, ambientais, comportamentais, evolutivos, geográficos ou taxionômicos.
A genética é à parte da Biologia que estuda os fenômenos relacionados com a hereditariedade. Hereditariedade é por sua vez, a propriedade que tem os seres vivos de transmitir aos descendentes as suas características mais particulares, sejam elas estruturais, funcionais ou simplesmente de comportamento. A hereditariedade está presente até nos mais insignificantes organismos. (SOARES, 2000, p. 8).
Quanto aos depoimentos os profissionais, consentiram uma influência neuronal no sujeito através da atuação dos neurotransmissores e suas conexões.
D101-O sistema nervoso comanda toda a função orgânica do indivíduo. A unidade fisiológica do sistema nervoso é o neurônio.
Na era da modernidade, tem se confundido muito as patologias, associando principalmente a depressão a todo e qualquer sintoma como sendo depressivo. Portanto se faz necessário enunciar tanto para os profissionais na área da psicologia como para o público em geral a importância dos exames laboratoriais tendo em vista os avanços tecnológicos da ciência.
Depressão é uma diminuição na qualidade de vida, o indivíduo perde o interesse para comer, trabalhar e ter atividades sexuais. Existe depressão leve, moderada e grave
Em caso depressivo o sujeito não encontra força interior para reagir, devido a uma deficiência de substância química no organismo.
Existem medicamentos para repor essas substâncias químicas, no caso, os antidepressivos, que começaram a ser usados na década de 50 e 60 com a finalidade de equilibrar quimicamente o sistema neuronal afetado e a recomposição do efeito natural de determinadas substâncias insuficientes no cérebro. Esses antidepressivos foram aperfeiçoados nas suas ações para combater os fatores que podem diminuir a quantidade dos neurotransmissores no espaço da sinapse, no caso, a serotonina, um desses medicamentos é a Fluoxetina ou Prozac, verifica-se que os antidepressivos têm sido descobertas e experimentos com sucesso, ampliando o número de pessoas que apresentam melhora e até cura. (TERRA, 200, p. 56).
Mas esses medicamentos não são a única forma de tratamento, existe atendimento Psicológico, e a própria cura por si mesmo.
Para evitar confusões os psicólogos podem comprovar a existência de depressão em um indivíduo através do exame Eletromiograma que detecta possível polarização e desporalização das membranas dos músculos, ou seja, os músculos ficam deformados, como se seus feixes de fibras dilatassem, podendo assim ser constatado a depressão.
Qualquer célula viva em repouso apresenta diferença de potencial elétrico com o interior negativo em relação ao exterior, ou seja, potencial de repouso.
As células excitadas, acontecem quando um estímulo altera a permeabilidade da membrana celular, aumentando a entrada de Sódio (Na+), provocando a desporalização. Quando atinge o máximo, inicia a repolarização com o aumento da saída de Potássio (K+) até o repouso pela igualdade elétrica; depois entra em ação a bomba de Na+/K+. A alteração da permeabilidade de um ponto leva à alteração no ponto vizinho propagando o estímulo.
O potencial eletronegativo criado no interior da fibra, devido à bomba de sódio, é o potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo ficando, então, polarizada. A entrada de sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio, sendo esta inversão transmitida ao longo do axônio, sendo considerados um impulso nervoso ou onda despolarização.
Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o Sistema Nervoso Central são os nervos sensoriais ou aferentes ou ainda nervos sensitivos, que são formados por prolongamentos de neurônios sensoriais que transmitem impulsos do Sistema Nervoso Central. Para os músculos ou glândulas são os nervos motores ou eferentes, feixes de axônios de neurônios motores. Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e por neurônios motores.
Em relação aos músculos é realmente muito complexo e a sua explicação ultrapassa o âmbito deste.
Em relação à influência dos neurônios da percepção no sujeito, verificou-se que o papel dos neurônios nesse aspecto é:
D1-Transmitir informações.
D2-A sua função é transmitir informações. As conexões existem para dar continuidade a estas informações.
Para compreender como os neurônios atuam no sistema nervoso, se faz necessário enunciar seus componentes.
Conforme Ginger (1995, p.182) os neurônios têm seu corpo celular composto de várias centenas de milhares de macromoléculas ou proteínas, elas são constituídas de cadeias de aminoácidos. Algumas macromoléculas, comportam, por sua vez, várias dezenas ou centenas de milhares de átomos, eles mesmos constituídos de dezenas de partículas.
O corpo celular é cercado por uma membrana de cinco nanômetros (5 milionésimo de milímetros) de espessura, constituída de duas camadas de moléculas, comportando cinco classes de proteínas específicas: entre as quais “proteínas canais” e “proteínas bombas” encarregadas de manter, no interior de cada célula, uma concentração eletroquímica específica: dez vezes mais ricas em potássio e dez menos ricas em sódio do que o meio externo à célula. O corpo celular é munido de “válvulas” que abrem a porta para certas substâncias químicas e fecham para outras, mas isso de forma variável e adaptada ao lugar e o momento, feito de modo “inteligente”, coordenado e quase instantâneo. Assim, por exemplo em meio milésimo de segundo são liberadas 3 milhões de moléculas em cada um dos espaços intersinápticos (com largura de 2 bilionésimos de milímetro). Isso quer dizer que se alguém chama por algum nome, exemplo: João, basta que o ouvido de um indivíduo perceba a primeira letra (J), para que milhões de sinapses já tenham secretado cada uma das 3.000.000 de moléculas ativas de neuromediador químico chamado acetilcolina etc.. é como se o telefone tocasse simultaneamente para 3.000.000 de pessoas, mantendo-as mobilizadas para uma eventual ação.
Se não tinham chamado por João, mas por Jorge; não importa a membrana pós-sináptica terá voltado a encontrar seu potencial de repouso em uma fração de milionésimo de segundo e estará disponível para outro chamado. Instantaneamente, as enzimas terão transformado as moléculas do mediador químico, liberado por erro, em substância inativa. Esse microcircuito de contato e retração, esse alerta ou desativado terá durado menos de um milésimo de segundo.
O cérebro ao contrário do computador que funciona num sistema binário ou seja a corrente passa ou não passa; no cérebro, o influxo do cérebro é capaz de um funcionamento “qualitativo sutil”, capaz de uma trajetória modulada “guiada” em que cada categoria de neurotransmissor só se propaga junto a receptores específicos, orientado no espaço, tempo que persiste pela duração necessária, antes de ser apagado sem deixar vestígios, devorado por enzimas “gulosas” essa “limpeza” deve ser meticulosa, pois certos neurotransmissores são ativos na dose de 1 bilionésimo de grama.
Terra (1999, p.41) enuncia que antigamente a crença de que a sede das emoções estava no coração, por causa das alterações psicofísicas. Não havia ainda sido descoberto o papel do cérebro e, dentro dele, dos neurônios no comando das reações humanas.
No cérebro existe o Sistema Nervoso Central (encéfalo e medula espinhal) e Sistema Nervoso Periférico (gânglios nervosos espalhados por todo o corpo).
Os neurônios são em número de bilhões espalhados por todo o Sistema Nervoso, funcionam produzindo sinais elétricos, substâncias químicas e estabelecendo conexões uns com os outros, com os músculos, glândulas e tecidos, que dão a percepção do mundo externo e interno, comandando todas as reações conscientes e inconscientes do corpo, sejam internas ou para agir no mundo em que se vive.
A passagem do sinal elétrico de um neurônio para outro é que viabiliza a informação. O sinal é codificado e obedece a duas formas, uma digital (sistema tudo ou nada) ou seja, passando ou inibindo a passagem do sinal elétrico de um neurônio para outro. O outro é analógico depende da freqüência dos sinais elétricos que passam de um neurônio a outro. Dessa forma é possível se comunicar com áreas distantes uma da outra, dentro do cérebro através das sinapses.
A sinapse é o lugar de contato, por onde irão passar todas as informações de um neurônio para o outro. A sinapse tem um intermediário chamado neurotransmissor que atravessam o espaço entre os neurônios e se encaixam em receptores localizados na superfície do neurônio seguinte.
Os neurônios possuem dendritos e axônios, os dendritos são os que “brotam” estimulados por substâncias químicas específicas ou podem ser “podados” por processos destrutivos naturais como o estresse.
O indivíduo com estresse por muitos anos, acabam diminuindo o número de dendritos por neurônio. Como afirmam os depoimentos:
D1-Alguns pacientes apresentam aumento da excreção de adrenalina, outros de noradrenalina e de seus metabólicos. Há ainda, alteração de outras substâncias, como a aldosterona e outras.
D2-Pode haver alterações na liberação de neurotransmissores (aumento ou diminuição).
Essas alterações nos neurotransmissores ocorrem quando o sujeito passa por um estresse, seguido também por uma diminuição do hormônio Cortisol. Segundo Ratey (2002, p. 66/93) o estresse pode bloquear o sistema visual e também provocar uma diminuição do Cortisol, o hormônio que combate o estresse.
Os pesquisados salientam que:
D1-A base orgânica da percepção é neuronal.
Ginger (1995, p. 39) relata em seu livro que a percepção depende, ao mesmo tempo, de fatores objetivos e de subjetivos, cuja importância relativa pode variar.. O sujeito tende a isolar as “boas formas ou as formas plenas” que regem as relações entre o organismo e o meio.
E que tanto a percepção como a potencialidade ou inteligência do sujeito depende do cérebro para efetuar qualquer uma delas.
Como foi verificado por meio de experiências de laboratório que o sujeito mostra uma relação dialética entre o objeto dependendo das necessidades do sujeito.
Por exemplo: a sede. Tenho sede, ou fome logo procuro saciar-me, mas caso não encontre meios para saciar-me? As necessidades não satisfeitas acarretam conflitos. Bluma Zeigarnik, (1927 apud Ginger, p. 39) ficam as Gestalt incompletas
Ratey (2002, p. 68) argumenta que o cérebro é um ecossistema dinâmico. Esclarece que os vários neurônios e redes estão empenhados numa feroz competição pelos estímulos que chegam. As redes que têm êxito no processamento de novas experiências ou comportamento terminam como membros fortes e permanentes da “comunidade” neurônica, ao passo que as redes não usadas, desligadas do fluxo e refluxo de informação, definham e morrem. Deve-se usar os sentidos e seus neurônios ou perde-los para sempre.
Os neurotransmissores e os hormônios são alterados conforme a percepção, olfato, audição, tato e paladar dos indivíduos.
Acontecendo também uma implicação do funcionamento dos sentidos quando as sinapses são interrompidas.
D1-Não havendo transmissão através das sinapses, toda a informação não segue seu curso.
D2-Todos os 05 sentidos (tato, olfato, audição, visão e paladar), depende do bom funcionamento dos neurônios e de suas sinapses, dos neurotransmissores, certos elementos químicos (sódio, potássio, cálcio, acetilcolina, etc), e cada um dos sentidos, apresenta ainda,células especializadas para o seu adequado funcionamento. Se, por ventura, qualquer um destes elementos (inclusive as sinapses), não estiver funcionando adequadamente, haverá diminuição/prejuízo daquele sentido.
De acordo com Terra (1999, p. 46) os axônios levam impulsos elétricos, quando agrupados dentro do Sistema Nervoso Central são chamados de feixes ou vias nervosas, formando a substância branca do cérebro, quando fora do Sistema Nervoso Central são chamados nervos. Os agrupamentos dos neurônios dão uma tonalidade cinza.
A Sinapse é a região onde os neurônios estão agrupados, é o lugar de contato, por onde irão passar todas as informações de um neurônio para o outro.
Na Sinapse não existe o contato físico, fica separado por um pequeno espaço gerando uma dificuldade para passar o sinal elétrico. Para resolver isso o neurônio lança mão de um intermediário. Ele aparece quando chega o sinal elétrico na extremidade do axônio, acontecendo a liberação de moléculas de determinadas substâncias químicas, os neuro-hormônios fabricados e armazenados pelos próprios neurônios, que são eles os neurotransmissores, que são armazenados em vesícula sinápticas dentro do terminal axonal e liberados na fenda sináptica. (existem dezenas de substâncias químicas fabricadas, cada um com uma função específica no cérebro). Então os neurotransmissores atravessam o espaço e se encaixam em receptores localizados na superfície dos neurônios seguinte. Desta forma, a transmissão do impulso ocorre sempre do axônio de um neurônio para o dendrito ou corpo do neurônio seguinte. Existem os Sensitivos ou aferentes, os Motores ou eferentes e os associativos ou interneurônios.
Alguns dos mais importantes neurotransmissores ou substância química são o GABA (ácido gama-aminobutírico), glicina (inibitório), glutamato, aspartato (excitatório) norepinefrina acetilcolina (periferia), dopamina, serotonina (central) noradrenalina.
A substância química, ou seja, o neurotransmissor que entra no receptor e dispara uma série de reações dentro do segundo neurônio, incluem a reprodução do sinal elétrico, que é assim passado adiante, forma um ciclo que se segue pela a vida toda.
Quando acontece um distúrbio de transmissão química na sinapse ocasiona os distúrbios neurológicos e psíquicos, exemplo; a depressão; os neurônios não proporcionam a quantidade adequada de determinados neurotransmissores, como a dopamina, a noradrenalina e a serotonina, assim não há estimulo suficiente para os neurônios seguintes, nas conexões do sistema responsável pelo humor.
A hipótese mais recente é que a alteração provocadora da depressão possa ser uma perturbação na formação dos receptores dos neurônios seguintes, além da diminuição dos neurotransmissores específicos. Assim a depressão cientificamente é considerada uma doença genética.
Há uma centena de bilhões de neurônios num cérebro humano e um número cada vez maior de outras células que não executam funções especifica. Cada um desses neurônios está conectado a outros por projeções que lembram ramificações arborescentes conhecidas como axônios e dendritos, a maioria dos quais terminam em minúsculas estruturas chamadas sinapses.
Nas sinapses, ocorre a liberação de substâncias chamados mediadores químicos ou neuroormônios ou adrenalina, acetilcolina etc...proporcionando a passagem do impulso nervoso de um neurônio para o seguinte. Sem os mediadores químicos o impulso é interrompido, não segue adiante. (SOARES, 2000, p. 297).
Ginger (1995, p. 177) enfatiza que é através dos sentidos que o indivíduo captura as informações e através dos neurônios processam e armazenam formando uma rede complexa de contatos entre si, recebendo e transmitindo informações tanto intrinsecamente como extrínseca. Esses neurônios surgem no sistema nervoso desde a vida intra-uterina, ou seja, os neurônios se multiplicam essencialmente a 10ª e a 18ª semana de vida intra-uterina (no ritmo alucinante de 300.000 neurônios por minuto) e sua fabricação termina entre 0 5º e o 7º mês da vida.
Depois disso, nenhum deles se renovará, pelo contrário perdemos várias dezenas de milhares deles a cada dia, ao longo de nossa vida (uma perda total de cerca de 20% no fim de uma vida de duração média). Isso não é trágico, pois cada informação é “estocada” em diversos pontos e, de qualquer forma, não utilizamos mais do que 20 a 40% de nosso potencial e até bem menos, e nos resta, ainda, uma ampla margem não utilizada no fim de nossos dias, mais da metade, embora o número de neurônios seja fixo, o da interconexões pode variar do simples ao duplo durante a vida, nossa atividade mental associativa e emocional faz brotarem incessantemente novas “espinhas” nos dendritos de ligação, constituindo de algumas dezenas a cerca de 20.000 conexões sinápticas por neurônios.
Em suma, as árvores de inteligência do indivíduo são plantadas antes do seu nascimento, mas depois as ramificações brotam sem cessar, formando uma espécie de intricada floresta virgem. Essa arborização permanente permite, em especial, a recuperação após um traumatismo craniano.
Aldriedg (2004, p. 117) discorre que quando a cobertura protetora (conhecida como bainha de mielina) rompe-se acontece as esclerose múltipla, por exemplo, perda da visão ou dificuldade motoras, pois os sinais são interrompidos e os nervos não conseguem transmitir instruções corretas ao corpo.
De acordo com os colaboradores todos os cinco sentidos dependem do bom funcionamento dos neurônios, de suas sinapses, e dos neurotransmissores.
D1-As sinapses são responsáveis pela continuidade da transmissão das informações entre 02 neurônios, ou entre 01 neurônio e outra célula (por exemplo, músculo).
As conexões dos 05 (cinco) sentidos são fortalecidas por seu uso como também acredita que maior parte da aprendizagem e do desenvolvimento ocorre no cérebro através do processo de fortalecimento ou enfraquecimento dessas conexões.
Conforme Ginger (1995, p. 182) o cérebro é bem mais aperfeiçoado do que um computador, visto que as portas de passagem podem ser não apenas abertas ou fechadas, para este ou aquele “visitante” mas podem ainda ser progressivamente entreabertas.
Toda essa atividade bioquímica de nosso cérebro pode hoje ser filmada através da caixa craniana. Podendo assim ser examinadas as zonas cerebrais em atividades, observando o consumo intensivo de oxigênio e de glicose. Então se pode observar o tipo de atividade mental ou afetiva em curso na pessoa, pode-se verificar se a pessoa está pensando num problema de matemática, numa melodia, num belo quadro ou no ser amado.
Cada região do cérebro tem funções específicas, mas cada uma está conectada com todas as outras. Exemplo: o hipotálamo, localizado na parte interna do cérebro no diencéfalo com uma interação direta e recíproca com a hipófise são responsável pela coordenação do conjunto das funções vitais; como a; fome, sede, sexualidade, regulagem térmica e do metabolismo, responsável pelo equilíbrio endócrino geral. Embora pese menos de uma (1) grama, é o centro dos instintos, que rege especialmente, as reações “agressivas” alimentares e sexuais. Contribui sem cessar para o equilíbrio homeostático, o aqui e agora do meio interior. (GINGER, 1995, p. 182)
O centro dos instintos já existia nos precursores dos mamíferos e répteis. Funciona também no recém-nascido, como também nos “estados alterados de consciência” podendo o indivíduo estar em coma. O centro dos instintos intervém de maneira natural na gênese das emoções no indivíduo, como ativador energético das funções, fornecendo uma corrente elétrica regulando a circulação da água e a evacuação dos detritos.
No hipocampo outra região do cérebro desempenha o papel importante no processo de memorização, é o núcleo amigdálico que modula as emoções. É diante destas regiões que desenvolve emoções fundamentais para o indivíduo como por exemplo; o desejo, a raiva; medo; tristeza; alegria e o afeto.
O Sistema Límbico possibilita as aprendizagens, levando em conta todas as emoções experienciadas, exemplo: os comportamentos “agradáveis” serão mais fáceis memorizados, enquanto os desagradáveis causam atitudes de rejeição ou retração.
O Sistema Límbico produz as endorfinas (morfinas naturais do organismo) que regulam a dor, a ânsia e a vida emocional. Mas se a ânsia vital se reduz demais, uma dose de bem estar se instala, acarretando indiferença e passividade. Emite ainda vários neuromediadores dos quais a dopamina, que regula a vigilância, a atenção, o equilíbrio emocional e o prazer. Ginger (1995, p. 183) relata que esses neuromediadores ou seja a dopamina seria um ativador polivalente do desejo.
Segundo alguns biólogos, a esquizofrenia poderia estar relacionada a um excesso de dopamina. Ela é ativada pelas antetaminas e inibidas por neurolépticos. Um outro exemplo é o orgasmo, uma experiência cerebral com sua essência límbica, que provoca até quadruplicarão da secreção de endorfina (daí o sentimento de bem-estar e de apaziguamento das dores no ato sexual). Essas sensações e outras são registradas no neocórtex, uma matéria cinzenta da camada do cérebro. Sua espessura é de 2 a 4 mm e sua superfície se desenrolada é igual a um quadrado de 63cm cercado lado a lado. Essa matéria cinzenta localizada no neocórtex é o suporte das atividades reflexível e criativa, tanto na imaginação como na vontade real proveniente do mundo exterior.
É no lobo parietal depois de coordenadas em percepções significantes onde as interações do corpo e a ação motriz voluntária que essa região fixa a imagem do mundo e elabora a linguagem verbal e escrita. É através dos neurônios que se processam e armazenam as informações.
No mundo científico e para os psicólogos entender as emoções humanas é preciso entender como funciona o Sistema Nervoso.
Os relatos confirmam:
D1-Os neurônios podem aumentar ou diminuir a liberação dos neurotransmissores e das substâncias envolvidas em determinadas reações psicológicas.
D2-O substrato orgânico de toda a ação psíquica é o neurônio.
Como o citado acima se verifica uma grande relação dos neurônios com as reações psicológicas e também na constituição do indivíduo principalmente em relação à aprendizagem, como também na captura das percepções pelos sentidos.
Ratey (2002, p. 67), ressalta que a percepção é muito mais do que simplesmente captar e registrar estímulos oriundos do mundo exterior. Para ele, um problema perceptível por menor que seja, pode desencadear implicações psicológicas, a percepção anormal pode corromper a experiência de uma pessoa. Se a percepção distorce a realidade, as imagens do mundo, isso também causa uma disfunção cerebral.
D1-A base psíquica esta relacionada à base orgânica (neuronal)
D2-Em alguns neurônios especializados, algumas informações podem não ser considerada, ou se houver lesão neuronal.
Assim, é fácil entender como um distúrbio auditivo, visual ou tátil pode prejudicar o desenvolvimento normal do cérebro. O cérebro esta recebendo informações constantes sobre o seu estado, através dos sentidos, acerca de acontecimentos no meio ambiente, e através de mensagens internas sobre a posição do corpo, exemplo: seu nível de excitação, as atividades dos vários órgãos e o estado químico e nutritivo do seu sangue. Como o cérebro mantém a homeostase em face de um mundo em permanente mudança, ele está codificando diariamente todos os estímulos que lhe chegam, esses estímulos são instruções para regular os níveis de neurotransmissores e hormônios, como as taxas de descarga elétrica e a excitabilidade química de suas próprias redes neurais. Para manter essa homeostase, o sujeito precisa de inúmeras substâncias (RATEY, 2002, p.61)
Conforme depoimento de um dos participantes da pesquisa, que confirma essa necessidade de inúmeras substâncias para que o sujeito mantenha a homeostase.
D1-Inúmeras, Neurotransmissores, catecolaminas, outras aminas, sódio, potássio, cálcio, magnésio, etc..
D2-Neurotransmissores.
A percepção é um dos mecanismos utilizados pelo sujeito para o registro das informações captadas do meio, quando indagados qual influência dos neurônios nesta percepção. Um dos questionados respondeu:
D2-Depende do que é percepção. Se for baseada nos 05 sentidos (tato, audição,visão, paladar, olfato), a influência é muito grande. Se for percepção/intuição, a influência é bem menor
Para Ratey (2002, p. 76) a percepção trabalha em conjunto com o olfato, isso é verificado no caso de pessoas que sofrem de anosmia, ou seja, a perda completa da capacidade de cheirar.
No cérebro o Sistema Olfativo tem uma ligação curta e direta com os centros da memória, os cheiros podem levar um indivíduo diretamente de volta a uma cena vivida no passado. O olfato também está ligado com o que comemos. Os receptores nasais são especializados em detectar a informação química no ar inalada, esse trabalho também conta com a participação do paladar. Portanto a audição, visão, o tato e o paladar estão interligados ao cérebro, especificamente no tálamo, onde estão milhões de redes neurais transferindo sinais para as regiões do córtex especializadas para cada sentido. Os sinais, depois de manipulados no tálamo, são submetidos a novo processamento no Sistema Límbico, que é a central para as emoções, memórias, prazer e aprendizagem, o Sistema Límbico coloca emoção tanto na visão, tato e paladar como na audição, pois é lá que estão armazenadas as reações emocionais vividas.
Os nervos olfativos projetam-se diretamente na amígdala e no córtex olfativo, que são partes integrantes do sistema límbico, sem qualquer intermediação do tálamo. Os nervos olfativos dispõem de uma linha direta para o cérebro emocional, ou seja, o olfato é muito mais rápido e mais decisivo do que os sistemas para os outros sentidos. Pois o olfato serve como alarme do paladar, evitando o indivíduo de ingerir algo estragado, por isso a rapidez para chegar ao cérebro, também sendo diferente dos outros sentidos em relação ao descruzamento de sua rede olfativa, além de emitir feromônios, odores químicos que enviam mensagens relacionadas ao meio ambiente ou sexual.
O Sistema Olfativo reconhece determinados cheiros desde o nascimento, no caso de alimentos repugnantes ou putrefatos, como também é treinado pela experiência de vida para detectar outros cheiros.
Nos Sistemas Gustativos e Olfativos todas as células estão sujeitas a um ciclo constante de nascimento, desenvolvimento e morte num período médio de dez dias para o paladar e trinta dias para o olfato. Esse ciclo de regeneração denominado neurogêneses serve a uma importante função, porque os receptores químicos estão constantemente expostos ao meio ambiente. No caso do paladar que devem suportar líquidos quentes ou frios, também são expostos as bactérias e outros, se queimar a língua por exemplo, graças essa regeneração constantes das células pode ser reversível.
Os depoimentos afirmam que:
D1-Depende do local da lesão, lesão no corpo neuronal é irreversível. Lesão axial pode haver recuperação.
D2-Depende do local da lesão, da intensidade e do tamanho da lesão.
Ratey (2002, p. 56) esclarece que, a maioria dos neurônios, uma vez mortos, não podem voltar a crescer.
Aldriedge (2002, p. 188) alerta para a perda dos neurônios no processo de envelhecimento, enfatizando que os neurônios vizinhos conseguem compensa-los. Se um neurônio de um par morre, o neurônio restante dá origem a novos dendritos com o potencial de fazer várias conexões novas.
Para Ratey (2002, p. 56) os neurônios não são totalmente pré-programados para desempenhar funções específicas. Os neurônios deslocados de uma área podem ser capazes de assumir funções perdidas por lesão cerebral de outra.
Os participantes da pesquisa argumentam que:
D1-Dependendo do tipo de trauma, pode levar à alteração (aumento ou diminuição) de alguns neurotransmissores, e não diretamente transtorno nos neurônios.
D2- Dependendo do local, tipo e intensidade do trauma, podem sim, se regenerar.
Os primeiros estudos do cérebro vieram através das “experiências naturais” estudos de pessoas com lesão cerebral causadas por derrames ou traumatismo craniano.
O médico Hipócrates já observava que uma lesão no lado esquerdo do cérebro comprometia a fala; mas tarde, foi confirmado, enfatiza Luria. 1981, p. 7, quando 1861 o neurologista francês Paul Broca identificou a área cerebral responsável pela fala, em estudos de pacientes vítimas de derrames através da necropsia.
Existem traumas psicológicos que conforme Aldriedge (2004, p. 191) dependendo do tipo de trauma, pode causar amnésia temporária, por exemplo, crianças que testemunharam um crime horrendo – como o assassinato do pai ou da mãe – podem apagar completamente essa experiência, a amnésia é uma falta temporária de memória, mesmo em casos duradouro, prolongados, algumas vezes o cérebro é capaz de encontrar novos caminhos para recordar a informação.
Segundo Perls (1977, p. 20) o indivíduo aprende a ignorar seus próprios sentimentos, desejos e emoções, quanto mais a sociedade exige que o indivíduo corresponda aos seus conceitos e idéias, menos o sujeito consegue funcionar de acordo. Quanto mais o caráter repousa sobre conceitos prontos, formas fixas de comportamento menos capaz o indivíduo é de usar os seus sentidos e intuição. Quando o indivíduo tenta viver de acordo com idéias pré-concebidas de como o mundo “deveria” ser ele se afasta de seus próprios sentimentos e necessidades. O resultado desta alienação dos sentidos, ou das necessidades e sentimentos não correspondente ao seu intimo, é o bloqueio de seu potencial. Quanto maior for a discrepância entre o que a pessoa pode se tornar através de seu potencial inato e, os conceitos idealistas e impostos, maiores serão o esforço e a possibilidade de fracasso.
Respondendo a “deveria”, ao que a sociedade exige o indivíduo atua num comportamento que não é apoiado pelas suas necessidades genuínas. Ele se torna falso e fóbico.
Não levando em conta sua potencialidade, o indivíduo normalmente só usa 10 a 25% deste potencial. A questão não é só sua potencialidade no termo que a palavra representa, mais a potencialidade de desenvolvimento das regiões cerebrais deste sujeito. Com toda essa pressão social e conflitos como são registradas nos neurônios, suas potencialidades. Estarão acumuladas na região temporal onde fica localizada a atividade sensorial. É justamente nessa região que funciona a compreensão sensorial de ruídos e de música. Nesse mundo estressante onde o indivíduo não tem mais tempo para relaxar e ouvir uma música, mas só de ouvir barulho ensurdecedor. Obrigando a desenvolver mais a região onde está localizado o giro frontal responsável pelas funções da escrita, época onde o homem tem sofrido de L.E.R, mal por esforço repetitivo. Quando a sociedade exige deste sujeito habilidades que não corresponde com suas necessidades ou potencialidades é querer como diz Perls que um elefante seja uma roseira. Quando um indivíduo procura corresponder ao um comportamento que realmente não é seu, que não foi computado no seu cérebro acaba respondendo com reações que não são suas.
Perls (1977, p. 22) vai mais longe, diz que o indivíduo constrói um ideal imaginário de como “deveria” ser e não de como realmente é. Ele da o exemplo do conceito perfeição. O indivíduo que responde a um ideal deste tipo, desenvolve uma fachada falsa para impressionar os outros. É o caso do neurótico com suas exigências perfeccionistas, que se divide para atender seu irreal. Embora a perfeição seja geralmente rotulada como “ideal”, na verdade é uma tortura tanto para o indivíduo quanto para os outros que o cercam, por não corresponde com a natureza humana.
Quando o indivíduo reage de forma que não corresponde com o desenvolvimento de seu potencial próprio ele busca na memória onde está o furo na sua personalidade e conscientizando-se do impasse que esta vivendo não consegue amenizar seu sofrimento por não corresponder às exigências. É como procurar por algo que não está registrado, ou não foi bem registrado, está inacabado.
Só com ajuda de profissionais especializados e conhecedor das funções psíquicas que sabe navegar neste mapa cerebral descobrindo que região esta interditada, interrompida, investigando as boas formas ou as formações deste cérebro é que o sujeito poderá amenizar seu impasse.
Segundo Ratey (2002, p. 234) os acontecimentos que causam grande alegria ou mágoa são mais fáceis de recordar do que outras lembranças. Os mecanismos de codificação e recuperação de lembranças dotadas de forte carga emocional são estruturados diferentes das de outras formas de memória.
As crianças e pessoas quando vítimas de maus-tratos, ou traumas estressantes, no entanto tem dificuldades de relatar com detalhes, narrando o ocorrido com lembranças fragmentadas, pois não lembram com nitidez.

Quando o indivíduo tenta recordar um evento, a experiência sensorial real interfere numa torrente de intensos e dolorosos mas aparentemente irrelevantes detalhes.
A amígdala reage de modo excessivo, enquanto que a área de Broca, crucial para a linguagem e a fala, se fecha. O resultado é o sujeito ficar “aturdido” a cada tentativa de recordar o episódio traumático e ser incapaz de expressar a experiência em palavras. (RATEY, 2002, p. 235).

O cérebro é derrotado pelo confuso afluxo de dados. Quando mais jovem é uma pessoa na época do trauma e quanto mais prolongado é o trauma, maior será a probabilidade de uma significativa amnésia traumática.
Conforme relato dos colaboradores os traumas tanto com lesões ou não, alteram os neurotransmissores e não especificamente os neurônios.
Quando perguntado aos pesquisados se uma imagem depois de conectada poderá ser deletada e como é o procedimento do cérebro, a resposta segue:
D1- Ao nível do consciente, sim. Ou por doença, ou por destruição neuronal.
D2-Depende da função do neurônio. Há neurônios motores, neurônios especializados para visão, para fala, audição, memória; a lesão de cada um destes neurônios, ocasionará alguma patologia/sintoma diferente.
Ao perguntar aos profissionais de que maneira as sinapses têm influência no desenvolvimento e aprendizagem do indivíduo, obteve-se o seguinte depoimento:
D1-Quanto maior o nº das sinapses realizadas no sistema nervoso central, melhor será a qualidade e a capacidade de aprendizagem.
Nas primeiras cinco ou seis horas que se aprende algo novo, é transferido para a memória de curta duração que permanece ativo. Mas se nesse intervalo for colocado outro aprendizagem ou desviar a atenção para outro assunto, à aprendizagem recém aprendida poderá ser prejudicada, confundida ou mesmo perdida pois o cérebro está tentando estabilizar a representação neural e reter a aprendizagem a memória. (RATEY, 2002, p. 201).
Também foi perguntado se após as informações coletadas pelo cérebro, tem como os neurônios distorcer as informações recebidas. Os entrevistados disseram que:
D1- Sim, se houver algum tipo de distúrbio psíquico, ou lesão neuronal.
Também se explorou quais os distúrbios químicos nas sinapses que ocasionam distúrbios neurológicos, psíquicos ou fisiológicos. Citam os pesquisados que essa alteração ocasionam distúrbios neurológicos ou psíquicos, conforme se lê abaixo:
D1- Qualquer alteração de qualquer substância nas sinapses, poderá ocasionar algum tipo de reação, podendo, às vezes, desencadear distúrbios neurológicos ou psíquicos. Por exemplo: alterações de dopamina, acetilcolina, potássio ou cálcio, podem provocar distúrbios neurológicos específicos (Parkinson, miastenia gravis, paralisia hipo/hipercalêmica, câimbra, respectivamente). Alterações da serotonina, adrenalina, noradrenalina, podem provocar inúmeros distúrbios psíquicos. Não há distúrbios fisiológicos.
D2- Aumento ou diminuição da concentração de substâncias neurotransmissores.
A miastenia grave é uma doença que se manifesta como fraqueza dos músculos voluntários causados pela presença de auto-anticorpos dirigidos aos receptores nicotínicos da acetilcolina. Em razão destes anticorpos, as transmissões dos impulsos nervosas para os músculos são ineficientes.
Parkinson, também conhecido como paralisia agitante atinge as pessoas com mais de 55 anos de idade, resulta da morte de células na substância negra, a qual produz dopamina e a envia para uma segunda estrutura cerebral chamada corpo estriado, o qual coordena o movimento. Enfatiza Ratey (2002, p. 57) que a ausência de dopamina significa ausência de coordenação muscular.
A melhor maneira de entender o cérebro é ver o cérebro como um sistema de seleção, ou seja, “darwinismo neural” assim é possível ver a capacidade de um organismo para classificar por categorias e adaptar-se ao mundo, esse é o resultado de processos de seleção entre neurônios no cérebro. A competição entre células é que é responsável pelo crescimento, morte, vigor e fraqueza das células. Os grupos neurônicos que beneficiam a sobrevivência do organismo consolidam-se, prosperam e desenvolvem fortes interligações, ao passo que os que não são usados morrem. Essa “evolução” prossegue ao longo de toda a vida de uma pessoa.
Para Ratey (2002, p. 308) é evidente que a plasticidade do cérebro permite a reinstalação de conexões neurais após o dano e propicia uma certa recuperação da função.
Os pesquisados acreditam na importância dessa plasticidade:
D1-A plasticidade do cérebro depende basicamente da plasticidade neuronal (dos neurônios), e de sua capacidade de regeneração e de redistribuição das informações.
D2-A plasticidade cerebral esta baseada organicamente na integridade neuronal.
Neuroplasticidade é um novo termo que descreve a capacidade de células nervosas
para mudarem e modificarem sua atividade em resposta a mudanças em seu meio ambiente. Essa capacidade pode contribuir de forma decisiva para que as células do cérebro resistam ou vençam lesões e doenças
Essa plasticidade é importante durante os primeiros meses de vida. É por isso que o bebê tem interesse no estímulo multisensorial desenvolvendo com esse estímulo posteriormente à inteligência.
Verifica-se assim a importância do desenvolvimento sensorial, comprovando que as estruturas cerebrais são desenvolvidas a partir dos estímulos oferecidos ao mesmo. È importante informar que novas e múltiplas interneurais continuam a se estabelecer durante toda a vida. Isso, é importante para os psicólogos estarem atentos ao nível de desenvolvimento de cada indivíduo em determinada região do cérebro, especialmente durante as sessões de Gestalt, promovendo assim um exercício de desenvolvimento das regiões do cérebro adormecido. (GINGER, 1995, p. 178-187).
O darwinismo neural é a teoria que explica por que o cérebro necessita ser plástico, ou seja, capaz de mudar quando o ambiente de uma pessoa, e suas experiências mudam, possibilitando as pessoas a aprender e desaprender, também possibilita pessoas com lesões cerebrais a recuperar funções perdidas. Embora a flexibilidade do cérebro possa diminuir com a idade, ele mantém-se plástico durante a vida inteira, reestruturando-se de acordo com o que aprende. Apesar da capacidade do cérebro para adaptar-se, há limites para a sua flexibilidade. Existem estágios importantes para usar adequadamente essa plasticidade. (RATEY, 2002, p. 41)
Ginger (1995, p. 176) diz que as características fundamentais do cérebro humano são de fato: a extrema complexidade e a maleabilidade permanente.
Essa plasticidade é particularmente importante durante os primeiros meses de vida, pois, é nessa fase que os estímulos multisensoriais são importantes para o bebê e o desenvolvimento de sua inteligência futura.
Explana também que novas e múltiplas ligações interneurais continuam a se estabelecer durante toda a vida, especialmente durante as sessões da Gestalt, que relaciona diferentes camadas e zonas do cérebro.
De acordo com Polster (1979, p. 45), os primeiros estudos perceptuais dos gestaltistas abriram o caminho que mostraram como a motivação afeta a percepção, investigando assim sua dinâmica. Sendo que a pessoa que percebe não é simplesmente passiva aos sentidos proveniente do meio ambiente. O indivíduo ao perceber organiza conforme as experiências já adquiridas, desta forma a percepção é mais do que um reflexo, caso o sujeito por motivos sociais da vida interrompe seu processo perceptivo, não consegue fazer o que pretende, fica de fundo, permanecendo inacabada e incomodando, mas, caso consiga por em prática, passa então a ser figura, completando assim sua gestalt.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observa-se com esse trabalho, que o tema é complexo e apesar dos avanços tecnológicos, evoluções científicas, Mídia, Internet e as universidades elucidarem estudos referentes à complexidade do funcionamento do cérebro, o assunto ainda é pouco explorado.
Verifica-se que continuar estudando sobre as atividades neuronais poderá ser a base para entender o comportamento humano.
Sabe-se que o indivíduo está inserido em seu meio ambiente onde deste recebe informações, estímulos para a formação mental, esse armazenamento ocorre através dos neurônios sensoriais e motores.
Constatou-se que os resultados apresentados nesta pesquisa contribuíram para elucidar a influência de substância química no sujeito, onde apresenta uma relevância dos neurônios com participações expressivas no funcionamento sensorial e motor do ser humano desde sua fecundação, alterando suas reações biológicas, psicológicas, bem como sua vida social.
Identificou-se também a capacidade que apresenta o Sistema Nervoso para controlar uma série de funções tanto interna como externa do organismo.
Ressaltou-se a importância do social para a captura dessas informações, mensagens da qual participa de forma interativa na estrutura física do cérebro.
Segundo Ginger (1995, p. 175) parece absolutamente indispensável dar um mínimo de informações sobre as substâncias químicas (bioquímica e a psicofisiologia) do cérebro para todo aquele que quiser.
A presente pesquisa demonstra que os colaboradores percebem aspectos que envolvem a influencia das redes neurais da percepção no sujeito, como o aumento ou diminuição de certos elementos químicos, interrupções nas sinapses ou até a destruição no próprio neurônio. Enfatizam a responsabilidade das sinapses na continuidade da transmissão de informações, os reforços que são necessários para aumentar a rede neuronal, viabilizando assim um melhor aprendizado. Enunciam alguns distúrbios neurológicos ou psíquicos desencadeados por alterações de dopamina, acetilcolina, adrenalina, etc..
Alertam para os cuidados que requer o cérebro para um bom funcionamento e de sua plasticidade neuronal, favorecendo assim, as pessoas portadoras de algumas patologias, ou seja, o cérebro pode reverter sua situação atual, basta para isso o estímulo, seu uso freqüente, com orientações especializadas.
Ao psicólogo cabe verificar o que levou o indivíduo a desequilibrar seus neurotransmissores, e de que meios o sujeito poderá sair desse impasse. Para tanto julga-se necessário o estudo das redes neurais e suas implicações no sujeito.
Esta pesquisa, não tem a pretensão de esgotar o assunto exposto, mas de despertar o interesse de maiores conhecimentos referente ao tema, sendo que se trata de um órgão de grande complexidade envolvendo o ser humano, razão de todo o esmero deste trabalho.
REFERÊNCIAS
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_____________ Tendências à distração: identificação e gêrencia do distúrbio do déficit de atenção (DDA) da infância à vida adulta. Tradução: André Carvalho. Rio de Janeiro: Rocco. 1999.

APÊNDICE B
QUESTIONÁRIO
IDENTIFICAÇÃO DO PROFISSIONAL: Neurologista, Neurocirurgião

IDADE: _____________

SEXO: ______________

TEMPO QUE ATUA NA ÁREA: _______________

Solicito a gentileza de responder o questionário abaixo, que consta 17 perguntas abertas, tendo como objetivo verificar a influência das redes neurais da percepção no sujeito. É importante que suas respostas sejam claras e baseadas na sua realidade profissional. Obrigada.
  1. Para a Neurologia, quais as alterações provocadas nos neurotransmissores pelo estresse?
  2. Como os traumas psicológicos desencadeiam transtornos nos neurônios?
  3. Como você vê as implicações do funcionamento dos sentidos do sujeito provocado pela alteração das sinapses?
  4. Qual a relação dos neurônios com as reações psicológicas do sujeito?
  5. De que maneira as sinapses tem influência no desenvolvimento e aprendizagem do indivíduo?
  6. Quais os distúrbios químicos nas sinapses que ocasionam distúrbios neurológicos, psíquicos ou fisiológicos?
  7. Qual a influência dos neurônios na plasticidade do cérebro?
  8. Os neurônios se regeneram ou não?
  9. No seu ponto de vista qual a influência dos neurônios na constituição do indivíduo?
  10. Uma imagem depois de conectada poderá ser excluída? Como é o procedimento do cérebro?
  11. Após as informações coletadas pelo cérebro, tem como os neurônios distorcer as informações recebidas?
  12. A percepção é um dos mecanismos utilizados no registro de informações. Qual a influência dos neurônios nesta percepção?
  13. Tem como os neurônios deliberadamente apagar as informações recebidas?
  14. Quais as alterações mais freqüentes que poderão ocorrer em função de uma degeneração dos neurônios?
  15. Quais as substâncias responsáveis para manter o equilíbrio biopsicológico do sujeito?
  16. Com relação aos neurônios, qual sua função e o que determina suas conexões neurais? Existe alguma célula de comando?
  17. Sabe-se que os neurônios influenciam o biopsicossocial do indivíduo, qual o papel dos neurônios nesse aspecto?

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